O planeta está ficando cada vez mais quente e as temporadas de calor parecem cada vez mais intensas e duradouras. A nossa resposta imediata é simples: usar o ar condicionado. A tecnologia ajuda tanto que para Lee Kuan Yew, fundador e premiê de Singapura, ar condicionado foi a invenção mais importante do último milênio.

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O problema é que o ar condicionado é um dos responsáveis por estações cada vez mais quentes. Um estudo publicado recentemente no periódico PLOS Medicine tentou medir o impacto que o aparelho tem na saúde e no clima, já que ele consome energia elétrica que, em muitos países, não vem de fontes limpas.

Cria-se então um efeito cascata: quanto mais quente fica, mais usamos o ar condicionado e mais poluímos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a produção de energia é a segundo maior emissora de gases de efeito estufa.

De acordo com o artigo científico, o aumento da poluição de ar poderia causar mais mortes, também. Utilizando um modelo estatístico, esse aumento de poluição poderia elevar a média de mortes causadas por problemas respiratórios para 969 casos anuais, em 2050. É apenas uma estimativa, mas dá o tom do problema.

Jonathan Patz, coautor do estudo que dirige o Instituto Médico Global da Universidade do Wisconsin-Madison, conversou com o Earther e foi bem direto: “Ar condicionado salva vidas de ondas de calor. Mas se a eletricidade utilizada para fazer esses aparelhos funcionar vier de usinas termoelétricas a carvão, então teremos um problema”.

A projeção do estudo é que, mesmo com a transição para fontes de energias mais limpas no futuro, haja alguns prejuízos para a saúde. O que os cientistas não calcularam, no entanto, é que a passagem para fontes limpas pode acontecer mais rápido do que o esperado.

No Brasil, os resultados do PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) mostram que a parcela renovável da matriz energética atingirá 48% em 2026. Já a última edição do relatório Revolução Energética, feita pelo Greenpeace Brasil em 2016, mostra o Brasil com 100% de participação de fontes renováveis em sua matriz até 2050.

[Earther]

Imagem do topo: Pixabay