A Arábia Saudita está ameaçando condenar a cinco anos de prisão quem for pego espalhando “fake news” online, além da possibilidade de multas pesadas. Um aviso para aqueles que estão discutindo o suposto assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do Washington Post. A ameaça, publicada no fim de semana no jornal Saudi Gazette, ecoa uma das frases favoritas do presidente norte-americano Donald Trump para diminuir qualquer tipo de jornalismo que ele considere desfavorável a seu regime.

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A Saudi Gazette citou o Artigo 6 dos regulamentos de cibercrimes da Arábia Saudita, que torna crime violar “a ordem pública, os valores religiosos, a moral pública e privacidade”. A lei não faz distinção entre cidadãos sauditas e estrangeiros que violem as leis draconianas.

A Arábia Saudita está atualmente no centro de uma polêmica internacional por causa da suspeita da morte do jornalista Jamal Khashoggi, residente permanente norte-americano nascido na Arábia Saudita e que desapareceu em 2 de outubro, depois de visitar o consulado saudita na Turquia. Khashoggi é um crítico do regime saudita e teria sido morto no consulado antes de ser cortado em pedaços com uma serra de osso e enviado de volta para a Arábia Saudita. O governo saudita nega veementemente que tenha tido qualquer envolvimento com o desaparecimento de Khashoggi.

Um jornal turco afirma que o Apple Watch de Khashoggi pode ter gravado seu próprio assassinato, mas essa afirmação não foi checada de por outras fontes. O jornal afirma que a gravação de áudio pode ter sido enviada para o iCloud. Há rumores de que as agências de inteligência turcas haviam grampeado o consulado saudita e estariam usando o Apple Watch como uma desculpa para que possam liberar qualquer áudio potencial do assassinato no futuro.

O ex-diretor da CIA John Brennan apareceu no programa Meet the Press, no domingo (14), para falar sobre o relacionamento entre Arábia Saudita e Estados Unidos, sobre o príncipe da coroa Mohammad bin Salman (normalmente chamado de MBS) e sobre o desaparecimento de Khashoggi. Brennan disse que cabe aos sauditas explicar o que aconteceu.

“Se Khashoggi tivesse desaparecido na Turquia enquanto estava em um hotel ou em uma residência particular, acho que haveria uma negação plausível por parte do governo saudita”, disse Brennan ao apresentador do Meet the Press, Chuck Todd. “Mas ele desapareceu quando há evidências em vídeo de que ele estava no consulado (saudita).”

“Portanto, as negações deles (sauditas) soam vazias. Muito falsas”, prosseguiu Brennan.

O presidente Trump afirmou que, se a Arábia Saudita for responsável pelo desaparecimento do jornalista, o reino enfrentará uma “punição severa”. Mas o presidente rejeitou pedidos de sanções ou a cessação de vendas lucrativas de armas para o país. O presidente norte-americano, em suas discussões desconexas e às vezes incoerentes, deixou claro que não há princípio mais alto do que dinheiro.

“Eu vou te dizer o que eu não quero fazer”, afirmou Trump no programa 60 Minutes, na noite de domingo. “Eu não quero prejudicar os empregos. Eu não quero perder um pedido assim. E, quer saber, existem outras maneiras de punir.”

O príncipe herdeiro Mohammad bin Salman e seu reino têm investido pesado no Vale do Silício, mas vários líderes da comunidade de tecnologia recentemente desistiram de uma conferência importante na Arábia Saudita, chamada de “Future Investment Initiative“.

Chamada informalmente de “Davos no Deserto”, pessoas como o ex-CEO da AOL Steve Case e o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, disseram que não participarão da conferência deste ano. O CEO do banco JP Morgan, Jamie Dimon, anunciou na manhã desta segunda-feira que também não irá ao evento.

Lacaio do regime Trump e secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin ainda pretende comparecer. Como dissemos, não existe princípio maior do que o dinheiro no regime Trump.

[Saudi Gazette]

Imagem do topo: AP