Ciência

Arno Penzias, um dos pais da teoria do Big Bang, morre aos 90 anos

Vencedor do Prêmio Nobel de Física em 1978, o físico deixa como seu legado evidências para a teoria do Big Bang
Imagem: Dickinson College Archives & Special Collections/Reprodução

O físico norte-americano Arno Penzias faleceu na última segunda-feira (22), aos 90 anos. Envolvido em estudos cosmológicos, sua maior contribuição científica foi fornecer evidências incontestáveis da explicação atualmente mais aceita para a origem e evolução do universo: o Big Bang.

“Sua descoberta marcou uma transição entre um período em que a cosmologia era mais filosófica, com muito poucas observações, e uma era de ouro da cosmologia observacional”, disse Paul Halpern, físico da Universidade de St. Joseph em Filadélfia, nos EUA, ao New York Times.

De acordo com o filho do cientista, Penzias sofria com complicações da doença de Alzheimer. Ele já estava sob instalações de assistência em São Francisco, nos Estados Unidos. Sua morte foi uma consequência deste quadro.

Contribuições científicas

Antes da pesquisa de Penzias, junto ao astrônomo Robert Wilson, a teoria do Big Bang competia com a teoria do estado estacionário para explicar a origem do universo. 

Enquanto uma se baseava em uma grande explosão que deu origem aos elementos que conhecemos, há 14 bilhões de anos, a outra considerava que o universo se expandiu de maneira mais estática, formando novas matérias para preencher as lacunas que existiam.

Então, em 1961, Penzias e Wilson decidiram usar uma antena de rádio para fazer medições do Universo. Na época, pesquisadores desenvolveram a antena para comunicações via satélite, não com finalidade científica. Mas a dupla queria usar o equipamento para estudar galáxias de uma maneira inédita.

Os cientistas Robert Wilson e Arno Penzias posam à frente da antena que captou a radiação cósmica de fundo. Imagem: National Park Service

Enquanto instalavam o equipamento, já no ano de 1964, encontraram um zumbido persistente e inexplicável de ondas de rádio. Acharam curioso, porque parecia vir de todas as direções do céu, não importava para onde apontavam a antena.

De início, pensaram que poderiam ser ruídos da cidade ou de alguma explosão nuclear. Por fim, descobriram que o zumbido era resultado de um eco cósmico, que tinha como base uma forma de radiação residual deixada pelo Big Bang.

Para isso, Penzias e Wilson contaram com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Princeton, que haviam prevista a possibilidade dessa radiação existir. Mas, finalmente, o debate sobre a origem do universo estava resolvido.

Por isso, os cientistas ganharam o Prêmio Nobel de Física em 1978 e, a partir de então, o interesse pela astronomia guiou o trabalho de Arno Penzias, que agora deixa seu legado.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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