O governo chinês foi o provável autor dos ciberataques contra o app Telegram nesta quarta-feira (12), segundo o CEO do app, Pavel Durov. A motivação para tais atos seria frustrar a semana de protestos que tem ocorrido em Hong Kong.

Pavel Durov diz que as botnets que faziam parte dos ataques DDoS (negação de serviço) tinham “endereços IPs vindos em sua maioria da China”.



“Historicamente, o tamanho de ataques DDoS (com requisições entre 200-400 Gb/s) patrocinado por estado que fomos alvo coincide com os protestos em Hong Kong (que foram coordenados pelo Telegram). Este caso não foi uma exceção”, disse Durov num tuíte nesta quarta-feira.

Estima-se que 1 milhão dos 7,4 milhões de habitantes de Hong Kong tomaram as ruas em 9 de junho para protestar contra uma nova lei de extradição que tornaria mais fácil para a China prender pessoas em Hong Kong. No entanto, estes protestos diminuíram para dezenas de milhares de pessoas nos últimos dias.

Hong Kong foi uma colônia britânica até ser entregue à China em 1997. No entanto, a cidade sempre gozou de certa autonomia do estado autoritário da China continental. Pelo menos até a última década foi assim. A nova lei de extradição de Hong Kong permitiria que a China, que tem de 1 a 3 milhões de muçulmanos em campos de concentração, extraditassem supostos criminosos para serem presos e torturados, removendo salvaguardas que foram estabelecidas para proteger direitos civis para moradores de Hong Kong.

Carrie Lam, chefe do executivo de Hong Kong, uma aliada de Pequim que assumiu o poder em 2017, foi acusada pelos manifestantes de cometer “atos perigosos e até fatais [contra eles]”. “Estes tumultos, que danificam a paz social e desconsideram a lei, são intoleráveis em qualquer sociedade civilizada”, disse Lam em uma entrevista nesta quarta-feira.

Grupos internacionais de direitos humanos condenaram a ação policial em Hong Kong, notando que os protestos estavam ocorrendo de forma pacífica até a polícia começar a usar táticas para oprimir as pessoas. “As autoridades de Hong Kong não deveriam usar força desproporcional para suprimir protestos pacíficos”, disse Sophie Richardson, diretora da Human Rights Watch da China, em um comunicado. “As autoridades deveriam reconhecer as obrigações legais de Hong Kong para permitir as pessoas terem visões próprias por meio de protestos pacíficos”.

O presidente Donald Trump, que já se impressionou com a habilidade do governo chinês de suprimir movimentos democráticos, adotou uma abordagem excepcionalmente moderada aos protestos em Hong Kong nesta semana. “Espero que dê tudo certo para a China e para Hong Kong”, disse Trump, sem tomar partido.