Em seu livro The Imagineers of War (Os Imaginários da Guerra, em tradução livre), a autora Sharon Weinberger relata uma das primeiras implantações do treinamento de simulação: melhorar o desempenho dos Estados Unidos em um tanque de batalha simulado da OTAN em que os EUA consistentemente se saíam mal, apelidado de Canadian Army Trophy. Depois de implementar o regime rudimentar de games como treinamento, os Estados Unidos venceram. Três décadas depois, a Associação de Ski e Snowboard dos EUA está usando treinamento em realidade virtual no que poderia servir como uma repetição daquele resultado obtido há décadas.

As Olimpíadas de Inverno deste ano em Pyeongchang, na Coreia do Sul, estão quase chegando. Os atletas, infelizmente, têm um tempo limitado para se preparar para os percursos que de fato serão utilizados quando começarem os jogos em 9 de fevereiro. E embora a tecnologia de realidade virtual tenha dificuldades de achar uma base para chegar aos consumidores, ela parece quase feita sob medida para ajudar os esquiadores alpinos a aprender suas curvas de trás pra frente.

“Um técnico vai capturar os percursos de corrida em que os atletas vão competir em vídeo de 360º, que é gravado em velocidades relativamente lentas e então aceleradas ao ponto da velocidade das corridas, para que os atletas possam ver como são os percursos em um cenário de corrida o mais próximo possível da coisa em tempo real”, disse um representante da associação ao Gizmodo, por email. “A realidade virtual está lhes dando uma outra ferramenta que possam usar para maximizar o desempenho, e no nível de elite em que eles competem, todos os ganhos são um benefício.”

Headsets rodando um software da STRIVR simulam a experiência de descer uma montanha em velocidade máximo, enquanto pranchas de equilíbrio no formato de esquis oferecem um feedback tátil  (embora não sejam incorporadas ao hardware).

Perguntado sobre como os equipamentos estavam sendo incorporados ao treinamento dos esquiadores, o representante da associação não pôde oferecer muitos detalhes específicos. A simulação pode ter dado aos Estados Unidos uma vantagem competitiva nos anos 1980 quando a tecnologia ainda era jovem, mas essas câmeras de 360º e os headsets de realidade virtual são, se não onipresentes, facilmente adquiridos para um evento tão prestigioso quanto as Olimpíadas. “Temos certeza de que outras equipes estão olhando para a realidade virtual ou já a utilizando, mas todos tendemos a manter tais coisas em confidencialidade”, escreveu o representante.

Os eventos de esqui das Olimpíadas começam em 10 de fevereiro. Teremos que esperar até lá para ver se essa aplicação interessante da realidade virtual compensa.

[SportTech]

Imagem do topo: Laurenne Ross, US Ski Team racer/ US Ski & Snowboard