Astrônomos profissionais são pessoas muito ocupadas. Alguns estão mapeando galáxias, outros ouvindo aliens, enquanto outros buscam planetas habitáveis — algo que algum dia, com certeza, iremos precisar. Eles também são solicitados a fazer coisas que não necessitam de doutorado: encontrar as estrelas que pessoas “compraram” online.

Astrônomos conseguiram reproduzir sons emitidos por estrelas de 13 bilhões de anos de idade
Esta estrela imensa é maravilhosa, mas está com os dias contados

Isso mesmo, as estrelas da Via Láctea estão à venda, e mais de uma dúzia de companhias, como International Star Registry até a Name a Star, vende estrelas pequenas por até US$ 20. Mas mesmo se você gastar esse pouco de dinheiro, você não vai ser dono de uma estrela ou ter o seu nome nela. O que você está comprando é um pedaço de papel decorativo e um espaço em um registro privado de uma companhia — isso, como você pode imaginar, não é usado por agências científicas ou governamentais (a única instituição que pode batizar estrelas é a International Astronomical Union).

E, aparentemente, você pode ter problema em achar a estrela também.

“Como astrônomos, nós frequentemente recebemos perguntas sobre como achar a estrela de alguém”, disse Karen Masters, uma astrofísica do Haverford College. “E a gente acaba tendo que fazer suporte técnico para essas companhias que ‘vendem estrelas’.”

Ela recebe pelo menos uma requisição por mês e acredita que quase todo astrônomo profissional já recebeu pedidos do tipo.

As empresas vendem uma ideia romântica: nomeie uma estrela no nome de um amado, e você poderá se lembrar dele por todas as décadas. Ainda que nós consigamos ver 2.500 estrelas a olho nu, as companhias estão por aí vendendo milhões delas. Para ver as outras estrelas é necessário ter um telescópio — e mesmo assim, essas estrelas podem ser muito difíceis de se achar.

Britt Scharringhausen, uma astrônoma da Beloit College, recebeu um dúzia de requisições do tipo. Em uma ocasião, uma família pediu para ajudar a achar uma estrela que foi batizada com o nome de um parente falecido, porém a empresa não forneceu as coordenadas com precisão — um problema comum, ela disse.

“Achei uma bela foto de um campo estelar e circulei a mais bela”, disse. “Não me formei para me tornar uma trituradora de sonhos.”

Mesmo que Scharringhause tenha encontrado a estrela da família, no entanto, eles ainda podem estar desapontados. Lembre-se, disse Baldari, essas estrelas são incrivelmente fracas. “As pessoas acham que vão ver algo brilhante e cintilante”, disse. “Mas mesmo que você encontre alguém para encontrar sua estrela, será apenas um ponto inexpressivo.”

E um típico telescópio amador pode não ajudar muito também.

“Mesmo que as coordenadas estejam corretas, a pessoa média não vai conseguir usar o sistema para localizar a estrela”, disse Rori Baldari, vice-presidente da Associação dos Astrônomos Amadores de Nova York, que também recebe vários pedidos de ajuda. A menos, disse ela, “que você tenha um telescópio computadorizado e souber como usar, o que requer certo nível de paciência e habilidade (isso sem contar o dinheiro em adquirir um).”

Claro, isso certamente não é o que algumas empresas querem que você acredite. Na página inicial do Starling Star Registry, com sede da Alemanha, por exemplo, há uma foto de um casal apontando para “sua” estrela brilhante, chamada “Sarah”, ao lado de uma lua cheia, que de alguma forma não “esconde” o objeto. E a Star-registration.com diz que as estrelas são visíveis sem um telescópio. Baldari diz que isso é marketing enganoso.

“Estas companhias estão querendo dizer que se você sair à noite e dizer ‘amor, aquela é nossa estrela’, mas isso não vai acontecer”, disse. “Não tenho certeza se alguém tem uma estrela que seja visível a olho nu.”

O que dizem as empresas

Um porta-voz da Star Registry disse ao Gizmodo que eles não dizem às pessoas que podem batizar estrelas visíveis, e que todas as estrelas registradas “podem ser vistas usando o Worldwide Telescope em vez de precisarem ter conhecimento em um telescópio ou ter acesso a um telescópio computadorizado. Nós entendemos que a maioria das pessoas não estão em locais com área de ‘céu escuro’ para visualizar estrelas, nem eles têm o mesmo acesso e experiência que um profissional da astronomia tem”.

Um porta-voz da Name a Star disse que “nós já batizamos muitas estrelas que são visíveis, mas a gente também explica aos consumidores que ao menos que eles estejam em uma área muito escura, você não vai conseguir visualizar mesmo estrelas que de baixa magnitude.” A companhia diz que recomenda que os pesquisadores “usem um telescópio com um programa de busca de estrela ou achar usando o Google Sky.”

“Todas as estrelas que batizamos são visíveis a olho nu”, disse um porta-voz da Starling Star Registry. “Mas é verdade que não é fácil achar uma estrela em particular se você nunca fez isso antes. Em particular, deve ser notado que nem todas as estrelas são visíveis em todas as estações do ano e que o céu deve estar o mais limpo possível. Além disso, é frequentemente mais difícil ver as estrela na cidade que numa cidade interiorana por causa da poluição luminosa.”

A star-registration.com não respondeu ao pedido de comentário a tempo dessa publicação.

Contanto que ninguém esteja pagando bastante dinheiro para batizar uma estrela, Scharringhause disse, “talvez valha a pena a recompensa se o ‘comprador’ gostar de astronomia e tirar um tempo para contemplar o local que estão no universo.”

Ainda assim, há formas melhores de se gastar dinheiro. Escolha uma estrela em sua constelação favorita e compre uma foto dela, sugeriu Masters. “Você não precisa pagar a uma companhia para dizer que você é dono dela [da estrela]”, disse. “Ou se você está buscando algo mais romântico, marque um encontro durante um evento astronômico, disse Baldari, que organiza uma “noite de estrelas” no parque High Line em Nova York. E se você quer ver mesmo o cosmos em uma tela brilhante, ouça o conselho de Scharringhausen: vá a um planetário. Lá, você não terá problemas em achar estrelas — e os astrônomos ficarão bem feliz em lhe ajudar.

Benji Jones é um repórter freelancer que escreve sobre ciência, animais e meio ambiente. Siga ele no Twitter @benjisjones

Ilustração do topo: Sam Woolley (Gizmodo)