A Microsoft tem um punhado de propriedades nas mais diversas áreas e que, em um estado ideal, devem conversar entre si. De jogos a sistemas móveis e para PCs tradicionais, passando por vários serviços web, de infraestrutura, backend na nuvem… e não para aí. No novo Windows 8.1 a convergência de alguns desses para a experiência nuclear do sistema é bem visível. Dois destaques? Bing e SkyDrive.

A busca mais bonita que você já viu

Anna Kendrick deixa a pesquisa do Bing ainda mais bonita.

Há alguns anos o Bing substituiu o Live Search, um dos muitos nomes que a Microsoft usou para se referir ao seu buscador web no passado. Consolidar a identidade (e parar de trocar nomes) foi o primeiro passo para criar algo… maior. Embora só seja totalmente funcional nos EUA e ainda careça do apelo junto ao público que seu maior concorrente tem, o Bing tem força para bater de frente com o Google e até superá-lo em alguns pontos específicos.

No Windows 8.1, o Bing deixou de ser um app para ser incorporado ao sistema — bela mudança, diga-se. Ao usar o Charm de busca, ele puxa sugestões de consultas da Internet e as mistura com resultados locais (arquivos, configurações e apps); caso o usuário opte por uma da web, os resultados não aparecem no navegador, mas sim em uma “página” própria, formatada como se fosse um app do Windows.

Pesquisa universal.

É uma abordagem meio parecida com o que Android e iOS já fazem, mas a apresentação é muito bonita e a integração entre todas essas peças é exemplar. Pesquisando por um cantor, por exemplo, ele exibe uma foto bonita, alguns dados biográficos, playlist conectada ao Xbox Music, vídeos e, por fim, sites — com miniaturas e resumos. O mesmo vale para cidades, filmes, eventos históricos e outros termos reconhecíveis.

Essa aplicação é um exemplo do que agora é possível fazer com o Bing. Também na Build a Microsoft anunciou APIs públicas do Bing. Com elas, desenvolvedores poderão incorporar respostas prontas (Bing Knowledge) e outros recursos poderosos do serviço, como os mecanismos de linguagem natural (voz, câmera, OCR, tradução instantânea) tanto em apps quanto em sites. E eles já têm um bom parâmetro sobre o que pode ser feito — basta chamar a pesquisa do Windows 8.1.

Músicas abrem direto no Xbox Music.

SkyDrive: enraizado no Windows 8.1

No Windows 8 o SkyDrive era um app moderno e um app/cliente para o desktop clássico. Separados, com funções específicas, pareciam (e de fato eram!) duas coisas distintas, além de exigir downloads à parte. Agora, o SkyDrive vem totalmente integrado no Windows 8.1. Ele é nativo, tanto na porção moderna quanto na desktop, e ganhou alguns recursos legais, sem falar que está mais destacado no Explorer.

Independentemente do tanto de espaço que você tenha em uso no SkyDrive, todos os seus arquivos guardados lá são indexados pelo Windows 8.1. O sistema cria esse índice com meta dados dos arquivos e miniaturas de imagens. Na prática isso significa que mesmo que seu arquivo no SkyDrive seja maior que o espaço em disco do seu tablet ou computador, tudo será pesquisável e manipulável. Ao requisitar um arquivo que não esteja salvo localmente, o SkyDrive faz o download na hora. Se a sua conexão for minimamente decente, a diferença entre arquivos locais e online é nula — o Santo Graal da computação na nuvem. O SkyDrive é, agora, o local padrão para o salvamento de arquivos. É uma mudança grande, corajosa e bem-vinda, tomada pela Microsoft a partir do pressuposto de que, hoje, passamos mais tempo conectados do que fora da Internet.

SkyDrive: profundamente integrado ao Windows 8.1.

Há controles manuais para definir o que deve estar sempre salvo localmente. Neste ponto o SkyDrive funciona de forma parecida com os apps móveis do Dropbox e dele próprio. O Explorer agora traz opções no menu de contexto e informações criadas especialmente para o SkyDrive. É um compromisso grande, e algo bem tentador em detrimento a outras soluções para quem usa Windows.

Mais integração

É esse tipo de coisa que tende a tornar o Windows único, aquela integração sobre a qual falávamos no live blogging da Build, ontem. A montanha de produtos que a Microsoft tem, muitos deles orientados a consumidores domésticos, é uma grande oportunidade de oferecer vantagens únicas na indústria. Apesar de tímidas, iniciativas do tipo começam a aparecer e talvez se tornem, a médio ou longo prazo, os grandes diferenciais da Microsoft. Só depende dela.