Nos últimos meses, a BlackBerry vinha revelando aos poucos os detalhes sobre seu novo smartphone Passport, mas hoje foi o anúncio oficial: este dispositivo possui uma tela quadrada e um teclado QWERTY físico na parte inferior.

O BlackBerry Passport estará disponível em mais de trinta países ao redor do mundo – isso não inclui o Brasil – custando a partir de US$ 599. Mas como é usar um aparelho desses?

O Gizmodo americano fez o teste e bem, ele é largo. Mais do que o Galaxy Note 4 e o iPhone 6 Plus, na verdade. É algo quase impossível de usar com uma só mão. Guardá-lo no bolso não é um problema – o Passport tem 9,4 mm de espessura – mas tirá-lo é um desafio, por causa do seu formato.

A tela IPS quadrada de 4,5 polegadas, com resolução 1440×1440 pixels, “é extremamente brilhante, detalhada e vibrante”. O teclado físico parece esticado, mas funciona bem:

As teclas físicas parecem duráveis, são agradáveis ao pressionar, e confortáveis para navegar. E há um monte de atalhos de teclado que podem facilitar a sua vida – como pressionar a tecla “t” para voltar ao topo de uma página web… estranhamente, há também uma quarta linha digital de teclas, juntamente às três físicas, para digitar caracteres especiais e números… mas como qualquer outra coisa, eu me acostumei com isso.

O teclado até serve para rolar páginas, usando um sensor capacitivo:

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O BlackBerry Passport roda BB 10.3 com algumas novidades. Ela traz embutida a Amazon Appstore, com 250.000 apps para Android (que o smartphone pode rodar). Como nota o Gizmodo US, isso ajuda bastante – há poucos apps nativos para BB – mas ainda é algo inferior ao que temos no Google Play e no iOS.

O sistema também traz uma assistente por voz, a BlackBerry Assistant, uma resposta à Siri, Google Now e Cortana. “Na maior parte, ela funciona como os outros… só que é muito mais lenta. Em comparação com o Google Now, a Assistant levou 5 segundos a mais para retornar resultados após minha simples pergunta ‘Como está o tempo hoje?’ “, diz o Gizmodo US.

O BB 10.3 também traz um recurso bacana: o BlackBerry Blend. Trata-se de um programa para Windows, Mac e Android que permite conectá-los ao seu BlackBerry via Wi-Fi, 3G/4G ou USB. Dessa forma, você recebe mensagens de texto e do BBM, além de notificações de chamadas; transfere arquivos entre dispositivos; entre outros.

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Voltando ao Passport: ele tem câmera de 13 megapixels com estabilização óptica de imagem, que gera imagens nítidas mesmo em pouca luz; tem bom desempenho, graças ao processador Snapdragon 801 quad-core e aos 3 GB de RAM; e sua bateria de 3.450 mAh (não-removível) promete durar até 30 horas de uso misto.

A BlackBerry fez de tudo para trazer um dos melhores hardwares que ela já criou. Mas isso, infelizmente, não é o bastante. Do Gizmodo US:

O formato estranho da tela não traz conveniência suficiente para justificar seu tamanho desajeitado; a seleção de apps não vai satisfazer nem usuários razoavelmente experientes; e em alguns lugares, o BB dá a sensação de ser apenas uma sombra de sistemas operacionais mais capazes.

Não é fácil ser a BlackBerry, mas pelo menos eles estão tentando. E mesmo que consumidores comuns não queiram saber de um smartphone assim, ele pode ter espaço no mercado empresarial. Por enquanto, ela vem sangrando dinheiro, com prejuízo de US$ 60 milhões no primeiro trimestre, e de US$ 5,9 bilhões em 2013. [BlackBerry Blog, Gizmodo US]

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