Ah, os bloqueadores de anúncios. Mesmo que você não esteja entre o número crescente de pessoas que baixam uma dessas extensões, é provável que já lido alguma resenha elogiando esse tipo de software por vários motivos — principalmente por bloquear anúncios, spam e janelas pop-up nos sites. Logo, e sem nenhuma surpresa, muitos hackers encontraram nessas extensões a possibilidade de ganhar dinheiro, e também de monitorar os usuários.

O pesquisador de segurança cibernética Sergey Mostsevenko detalhou exatamente como esse tipo de esquema funciona. A maioria dos bloqueadores de anúncios deixa pequenos traços de dados nos sites que você visita. Quando esses rastros são coletados em massa, um malfeitor ou uma empresa de tecnologia podem usar esses sinais para identificar seu navegador específico.

Mostsevenko chama esse processo de “impressão digital”, e refere-se a uma forma desagradável de rastreamento que é projetada para ser quase impossível de ser eliminada pelos usuários. Os cookies podem ser apagados, seu cache pode ser esvaziado e você pode navegar exclusivamente no modo anônimo. Mas a tal da “impressão digital” do seu navegador é combinada a partir de uma série de sinais diferentes: seu endereço IP, tamanho da janela, configurações de idioma e muito mais.

Quando você visita uma página da web que contém um código de impressão digital oculto, esses dados são sugados e exibem especificamente sua impressão digital exclusiva, que por sua vez permite que hackers e empresas te rastreiem sem que você saiba.

São muitos os tipos de bloqueadores de anúncios, mas todos funcionam da mesma maneira: procurando por elementos específicos em uma página (como um pedaço de código de anúncio) e impedindo-os de carregar na visualização. Para saber o que vale a pena bloquear, a maioria dos principais bloqueadores contam com listas de filtros diferentes, feitas sob medida para todos os tipos de propagandas que você deseja encerrar: anúncios em alemão, anúncios para celular, pop-ups, entre outros exemplos. Alguns bloqueadores até permitem que os usuários carreguem as próprias listas de filtros se as opções disponíveis não forem suficientes. Cada uma dessas listas irá anular a coleção de snippets HTML e URLs de anúncios sempre que forem ativados.

“A lista de filtros que uma pessoa usa provavelmente só mudará se ela trocar o bloqueador de anúncios ou se o programa passar por uma atualização significativa”, escreveu Mostsevenko.

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Para evitar que coisas assim aconteçam, o pesquisador de segurança diz que não há muito o que fazer, já que os bloqueadores de anúncios estão se tornando ferramentas inseridas por padrão na grande maioria dos navegadores web. No entanto, algumas precauções ainda são válidas. A Electronic Frontier Foundation sugere desabilitar a execução do Javascript sempre que possível, além de investir em uma boa VPN. Alguns browsers populares, como Safari e Firefox, também tomam as próprias medidas para anular tentativas de impressão digital. Por fim, por mais que um site na internet implore, sempre recuse o uso de cookies.