Ainda não existem aplicações práticas para a realidade aumentada – sua mãe não utiliza a tecnologia em um mercado, por exemplo – mas ela se tornou altamente popular na comunidade tecnológica. Coloque realidade aumentada em uma ideia e você recebe capital de risco para desenvolvê-la. Ou, coloque realidade aumentada em um produto e receba elogio de publicações de tecnologia.

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Bose, uma companhia conhecia por seus bons fones de ouvidos e não por boas interfaces de usuários e computadores, é a última empresa a adotar a realidade aumentada. Ela revelou na semana passada um plano para investir em startups de realidade aumentada pela divisão Bose Ventures, mas acima de tudo, ela anunciou também uma plataforma que inclui óculos de realidade aumentada e, a empresa espera, uma nova maneira de interagir com conteúdo de realidade aumentada – e assim o seu mundo.

Me dê licença para acalmar minha cabeça e absorver tudo isso. A Bose é conhecida por fazer alguns dos melhores fones com cancelamento de ruído do mercado, e atualmente, nossos fones sem fios favoritos. Ela não é conhecida por seu trabalho com realidade aumentada, apps ou design de interface de usuário. E estes são três importantes pontos cruciais desta nova plataforma.

Ela permitirá que desenvolvedores de apps ganhem acesso as entranhas dos dispositivos de realidade aumentada da Bose e utilizem a nova interface de usuário da companhia, que é utilizada completamente sem as mãos, utilizando a voz e movimentos da cabeça do usuário. Yelp, TuneIn, Strava e o TripAdvisor são parceiros desenvolvendo para a nova plataforma.

A Bose decidiu anunciar a plataforma e seu hardware durante a SXSW, uma conferência não muito conhecida por revelar hardwares, para criar interesse em outros desenvolvedores.

Infelizmente, os óculos que acompanham o kit de desenvolvedor serão de sol.

Por enquanto a Bose tornará a plataforma disponível em um par de fones de ouvido que serão anunciados no futuro, e um par de óculos de sol que possuem pequenos alto falantes que emitem som nos teus ouvidos sem permitir que o resto do mundo ouça. Ele se conectará por Bluetooth com o seu celular, e terá sensores de movimento.

De acordo com John Gordon, vice-presidente de eletrônicos para consumidores na Bose, essa combinação de sensores deve permitir aos óculos (ou fones de ouvido, futuros capacetes, viseiras e máscaras de ski) precisamente saber para onde você olha sem a necessidade de auxilio visual. Ele aponta para um exemplo em Sena, em Paris, onde é possível olhar para uma direção e ver o Notre Dame e virar a cabeça e ver o Louvre. Mas isso é, em sua maior parte, um exemplo muito mundano. O GPS do seu celular já faz um bom trabalho em saber para onde você está olhando quando exemplos tão notórios como catedrais e palácios são usados.

E quanto a placas e exemplos menores, como olhar para uma pintura em uma galeria? Gordon diz ao Gizmodo que os óculos ainda não são tão precisos. “Esperamos que eles fiquem melhores com o tempo”.

Em vez disso, a plataforma permitirá a você fazer uma série de exercícios físicos com o Strava enquanto escuta música pelo Bluetooth – algo que a Bose e a Jaybird já fazem com fones de ouvido fitness. Gordon se apressa a dizer que isso não é apenas voltado para controle de voz, algo que assistentes digitais fazem há algum tempo, com vários níveis de sucesso.

“Não é só sobre a voz. É a voz e os movimentos da cabeça que permitem a você fazer algo tão transformador como deslizar descer a tela do telefone”. De acordo com Gordon, “isso é um padrão de interação completamente novo para um tipo diferente de interface”.

E ele não está errado. A Amazon está supostamente desenvolvendo óculos de realidade aumentada semelhantes, e a Vuzix apresentou óculos com Alexa durante a CES deste ano. A Intel anunciou óculos da mesma categoria com uma interface semelhante no mês passado: uma combinação de movimentos da cabeça e controle por voz.

Conforme a realidade aumentada se torna cada vez mais popular, fabricantes de hardware precisarão muito bem saber como deveremos interagir com estes sistemas. Controle por voz – ainda está engatinhando quando o assunto é interface de usuário – não será o suficiente. Não dará certo ter um mundo onde bilhões de pessoas usando óculos gritam constantemente “pular faixa” no metrô na volta para casa para mudar para a próxima música da sua lista.

É difícil pensar também que as pessoas sairão por aí vestindo luvas ou mantendo a mão em frente de seus rostos para interagir com estes novos tipos de computadores – não importa o que Homem de Ferro 3 e Minority Report mostraram sobre o assunto. Uma nova e fundamental mudança na maneira com que interagimos com computadores será provavelmente necessária. Os óculos de realidade aumentada precisam de sua própria versão do mouse e do toque na tela – as coisas que radicalmente alteraram como interagimos com desktops e celulares, respectivamente.

Mas eu não faço ideia se a Bose tem o que é necessário para suceder neste aspecto. Não experimentei os óculos ou os fones de ouvido, que estão em demonstração em Austin, Texas, na SXSW. Mas todos nós temos uma ideia do que a Bose está fazendo – e o que ela fará a seguir – quando o kit de desenvolvedor, incluindo um par de óculos, for disponibilizado no ano que vem.

Todas as imagens: Bose