Nós demos a notícia, no final do ano passado, que a D-Link pretendia lançar sua caixinha mágica de exibição de filmes, a Boxee Box, em abril de 2011. Pois bem, o prazo passou, mas com algum atraso a empresa confirma o lançamento do produto para o final de junho — mais especificamente, no dia 21. E o que podemos esperar além do hardware?

Caso você não conheça o Boxee Box, trata-se de uma caixinha de transmissão de conteúdo que embarcou o já conhecido software Boxee — baseado em outro ainda mais clássico, o XBMC — para transmissão de conteúdo local ou pela internet. Além do programa, a caixinha tem duas portas USB para conexão de periféricos e já tem Wi-Fi no padrão n embutido, o que ajuda a eliminar boa parte dos fios (além de ter um curioso controle remoto com teclado QWERTY na traseira).



Gadgets em formato de caixinha que prometem exibição de conteúdos diversos de mídia não são exatamente novidades. No Brasil, por exemplo, o WDTV é um gadget relativamente popular por fazer com facilidade a ponte entre a rede doméstica e a TV — além de ter uma extensa lista de hacks e possibilidades. Mas a proposta da Boxee Box, assim como de outras que existem no mercado americano, é diferente: além de seus arquivos locais, elas querem te colocar na nuvem. Mas para isso, é preciso conteúdo.

O sucesso das caixinhas depende exclusivamente de parcerias interessantes com empresas de conteúdo. Nos EUA, a presença do Netflix e do Hulu em várias delas é a saída para a expansão do mercado: com elas, é possível acessar os arquivos da rede doméstica via Wi-Fi sem lentidão, mas também é possível comprar e alugar conteúdo das empresas citadas — ambas têm planos mensais de filmes e seriados por 8 dólares.

Desde dezembro do ano passado, quando falamos pela primeira vez da Boxee Box no país, o mercado de streaming, venda e aluguel de conteúdo deu passos significativos — ainda não completamente instalados, mas que nos dão uma noção do futuro. A prata da casa Netmovies, que adicionou seu sistema de aluguel e compra de filmes em televisores da Samsung, muito provavelmente deve embarcar na onda da Boxee — diríamos que há 99% de chance.

Mas há prováveis novos concorrentes que podem viver dentro do gadget, e que torcemos para que enxerguem aqui uma oportunidade boa para entrar no mercado de vez: a Netflix, que anunciou recentemente que estará nos televisores da LG brasileira no segundo semestre, e que prepara uma grandiosa entrada no país, é uma delas.

Corre por fora, ainda, a Amazon — que demonstrou interesse no país, e não só no âmbito de livros. A Apple, que segundo os rumores estaria pronta para oficializar a iTunes Store no país, deve apostar em seus próprios gadgets, como a Apple TV, mas tudo pode acontecer. E não seria nada estranho se operadoras de TV à cabo, como a Net e a Telefônica, entrassem como parceiras — a Net, por exemplo, já está em vias de instalação do Net Now, um serviço de aluguel de filmes em HD sob demanda.

No fim das contas, o atraso da D-Link para anunciar a Boxee Box no país pode ser benéfico: o mercado parece mais pronto para entender um novo sistema de compra e venda de conteúdo, e novas empresas devem surgir e aterrissar por aqui. Mas certas curiosidades só serão eliminadas no dia 21: além das parceiras, qual será o preço do gadget? Nos EUA, ele custa US$199, valor considerado caro, e um preço proibitivo pode ter um efeito devastador por aqui. Mas fique ligado: saberemos tudo isso em breve.