Doença cardíaca é a maior causa de morte nos EUA. No entanto, um novo estudo sugere que é uma questão de tempo até que a principal causa de morte no país da América do Norte seja o câncer. Como ponto positivo, o estudo relata que, em parte, nós ficamos muito melhores em prevenir mortes por doenças cardíacas e estamos vivendo mais — ou seja, isso não vai ocorrer porque as mortes por câncer estão aumentando.

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Os pesquisadores, do centro médico da Universidade de Stanford, analisaram os registros de morte no país entre 2003 e 2015. Analisando por cidades, eles descobriram qual era a principal causa de morte a cada ano. Em 2003, doenças cardíacas eram a principal causa em 79% dos municípios, mas em 2015, a condição era a principal responsável por morte em 59% das cidades. Câncer, enquanto isso, foi a principal causa de morte em 21% das cidades em 2003, e em 2015 este número chegou a 41% das cidades.

“Estamos no limiar da transição de doença cardíaca para o câncer como a principal causa de morte nos Estados Unidos”, disse a principal autora do estudo, Latha Palaniappan, à CNN.

As conclusões da equipe, publicadas no Annals of Internal Medicine, não são especialmente surpreendentes. Os cientistas do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), a agência federal dos EUA responsável por publicar dados anuais de mortalidade, previram que o câncer ia superar as doenças cardíacas como principal causa de morte em 2020 (em 2016, o último ano em que há dados públicos sobre isso, houve 635.260 mortes reportadas de doenças cardíacas contra 598.038 mortes causadas por câncer). A título de comparação, no Brasil, estima-se que 300 mil pessoas morrem anualmente por doenças cardíacas, enquanto mortes por câncer representam metade deste número.

Esta transição foi causada pela profunda redução de morte de condições cardíacas comparadas com outras doenças. Um estudo de 2016 publicado no JAMA, por exemplo, dizia que a taxa de mortalidade por todas as causas caiu 44% nacionalmente entre 1969 e 2013, só com doenças cardíacas a queda foi de 68%. Neste mesmo período, as mortes causadas por câncer caíram 18%.

O mesmo padrão foi visto em um estudo atual. Após ajustar idade e sexo, a taxa de morte por doenças cardíacas caiu 28% em um período de 12 anos, enquanto a taxa de mortalidade por câncer caiu 16%.

Mas ao olhar as mortes em nível municipal, Palaniappan e sua equipe conseguiram ver que as boas notícias não são universais. E como outras coisas relacionadas à saúde, o nível de riqueza tem um importante papel nisso. Em cidades em que as pessoas reportam ter baixa renda, a taxa de mortalidade por doenças cardíacas e câncer diminuiu muito menos do que em locais com renda melhor. Doenças cardíacas também foram a principal causa de morte nessas cidades de renda menor.

Existe mais de uma razão para esta diferença. Pessoas mais pobres são mais propensas a fumar (e menos propensas a pararem), por exemplo, o que é um fator de risco tanto para doenças cardíacas como para câncer. E em cidades de baixa renda essas pessoas não costumam ser alvo de cuidados preventivos e médicos, tornando mais difícil que elas se mantenham saudáveis ou sejam tratadas apropriadamente ao terem doenças cardíacas agudas.

A morte é um jogo de soma zero. Quanto menos morrermos de algo significa que outro fator passa a se destacar. Mas ao destacar essas disparidades socioeconômicas, a equipe espera chamar mais a atenção para assegurar que todos tenham a chance de viver mais e de forma mais saudável, independente das circunstâncias.

“Precisamos trabalhar duro em áreas de baixa renda nos EUA, para que elas possam ter as mesmas melhorias em níveis de mortalidade”, disse Palaniappan à CNN. “Precisamos nos concentrar mais em doenças cardíacas e esforços de tratamento e prevenção particularmente entre as populações afro-americanas.”

[Annals of Internal Medicine via CNN]