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Uma cápsula do tempo enviada ao espaço tem chances maiores de sobreviver por 100 anos?

Celebrando os 200 anos da Universidade de Michigan, estudantes enviarão cápsula do tempo com mensagens gravadas em um chip e enviada ao espaço

Para ajudar a celebrar o aniversário de 200 anos da instituição de ensino, estudantes da Universidade de Michigan decidiram construir uma cápsula do tempo. Chato, não é? Não exatamente. Em vez de enterrarem-na, o que inevitavelmente levaria seu conteúdo a apodrecer, os alunos querem mandá-la para o espaço, onde orbitará a Terra por 100 anos, potencialmente dando à cápsula uma maior chance de sobreviver.

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O processo de criar uma cápsula do tempo normalmente envolve construir o que essencialmente é um cofre em miniatura, projetado para proteger o que tem dentro — sejam fotos, memorabilia, jornais ou o que for — de elementos ou qualquer outra coisa que décadas de negligência possam impor aos objetos. Frequentemente, isso falha, resultando em uma descoberta decepcionante quando a cápsula eventualmente é aberta. Mas no espaço não há umidade, oxigênio ou criaturas microscópicas que possam destruir o que você está tentando preservar.

Em vez de um cofre, no entanto, os estudantes da Universidade de Michigan estão desenhando e construindo um “CubeSat” — um satélite em miniatura feito de cubos de 10 centímetros —, que irá conter quase mil entrevistas de alunos da faculdade, todos microscopicamente gravados em chips de silício. A pequena cápsula do tempo também terá uma declaração de missão da universidade codificada em DNA sintético, para que, dentro de 100 anos, futuros alunos possam estudar o quão bem ela se sustenta após um século no espaço.

Porém, não haverá nenhuma fotografia ou recortes de jornal dentro da cápsula, já que os estudantes precisam maximizar o espaço limitado que têm disponível para incorporar um sistema de propulsão — o primeiro a ser colocado em um satélite minúsculo como esse. A gravidade da Terra eventualmente puxa tudo orbitando nosso planeta, e, para se manter lá em cima por 100 anos, essa cápsula do tempo precisa de seu próprio sistema de propulsão para neutralizar o puxão da gravidade.

Mas há ainda outro desafio ao projetar um satélite que será um dia recuperado após 100 anos em órbita: ele não poderá carregar energia suficiente para se comunicar com a Terra o tempo todo. Eventualmente, ficará em silêncio. Então, os estudantes integraram refletores externos no projeto para que, quando 100 anos tenham se passado, os alunos do futuro possam usar um sistema de laser terrestre para escanear o céu até que consigam detectar a cápsula visualmente. A essa altura, eles também conseguirão rastrear sua órbita e calcular onde o satélite eventualmente irá cair na Terra, quando a órbita decair.

O experimento é definitivamente um jeito criativo de garantir que o conteúdo da cápsula do tempo sobreviva à viagem de um século de duração. Mas após 60 anos enviando foguetes, satélites e outras espaçonaves em órbita, está também ficando bastante lotado e desordenado o espaço em torno de nosso planeta. Então talvez a última coisa de que precisamos no momento seja lançar cápsulas-satélites lá para cima para fazer nada mais do que ficar por lá, no meio do caminho, por 100 anos.

Imagem do topo: Universidade de Michigan

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