O leitor Xian Zhang Min nos enviou um vídeo timelapse com a construção de seu mais recente edifício: um arranha-céu com 180.000 m² e 57 andares, totalmente erguido com blocos pré-fabricados semelhantes a Lego. Ele afirma que estão construindo edifícios como este na China a um recorde de três andares por dia!

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A empresa continua a aumentar sua velocidade de construção e o tamanho destes edifícios a um ritmo impressionante. Não é o arranha-céu de 220 andares que eles prometeram construir, mas é incrível mesmo assim.

Este edifício tem 19 átrios com dez metros de altura, mais 800 apartamentos e escritórios para 4.000 pessoas. Zhang afirma que o uso de módulos reduziu o uso de concreto em 15.000 caminhões, e por isso quase eliminou toda a liberação de poeira no ar – uma vantagem importante porque a China sofre bastante com poluição.

Ele também afirma que todo o ar interno é 99,9% puro porque os blocos ficam bem presos entre si, e também devido a sistemas de ar condicionado embutido. O edifício é revestido com quatro painéis de vidro e, diz ele, é tão eficiente no consumo de energia que vai economizar 12.000 toneladas de emissão de CO2, se comparado a um edifício do mesmo tamanho e uso.

Arranha-ceu na China

E no Brasil, por que o uso de blocos pré-fabricados de concreto ainda é tão tímido? Uma reportagem na Grandes Construções explica que falta a tecnologia para fabricá-los no país:

… as peças, normalmente medindo 20 centímetros de espessura, 60 centímetros de altura e 1,20 m de comprimento, são curadas em forno de autoclave a pressão de 34 bares (34 atmosferas). A fabricação é feita com cimento CP II-F-32 ou CP II-Z-32, areia fina e aditivo a base de alumínio ou aerante, que no Brasil só é conseguido através de importação. Os fornos de autoclave também não são fabricados no país, o que encarece a instalação de uma fábrica.

Edifícios erguidos com blocos pré-fabricados requerem um planejamento maior, e o custo de sua fabricação pode ser inicialmente elevado – mas compensa à medida que mais construções usam essa tecnologia.

Infelizmente, parece que estamos pouco dispostos a investir nisso. Para entender isso melhor, resgatamos um trecho da sensacional reportagem “Por que tudo custa tão caro no Brasil“, de Alexandre Versignassi e Felipe van Deursen:

O método mais comum de construção por aqui continua sendo basicamente o mesmo da Mesopotâmia de 8 mil a.C.: a alvenaria – levantar paredes tijolo por tijolo (ou bloco de concreto por bloco de concreto), unindo tudo com argamassa. Lá fora, usam mais material pré-fabricado: uma usina vai e monta placas de concreto (ou de cerâmica). As placas saem da usina, vão para a construção, e os operários montam o prédio como se fosse um Lego gigante. Vão encaixando tudo…

Se fosse assim no Brasil, a oferta de prédios novos acompanharia qualquer demanda. E o preço dos imóveis não teria explodido. Pelo menos não tanto. Por que não tem nada assim no Brasil, então? Porque os empresários e o governo gastam pouco para melhorar seus meios de produção, não investem o que poderiam em máquinas mais modernas e novas fábricas (como usinas de placas de concreto). Na China, esse tipo de investimento corresponde a 48% do PIB. Metade do que o país produz tem em vista justamente produzir mais. Um terço do aço que a China fabricou na era dourada, boa parte usando o nosso minério como matéria-prima, foi para a construção de novas usinas de aço. Aqui, pegaram o dinheiro do minério e foram comprar Land Rovers e reformar coberturas na Lagoa.