Olhar para as pinturas de Pablo Picasso pode ser um pouco confuso. Cientistas utilizaram um raio-x para revelar alguns segredos por trás de pinturas e esculturas do famoso artista.

Pesquisadores da Universidade Northwestern traçaram a composição exata dos metais em cinco moldes de bronze em uma fundição específica na Paris da Segunda Guerra Mundial. Já outro time revelou uma pintura escondida por trás da obra-prima do período azul do artista, La Misereuse Accroupie.

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“Podemos dar uma história mais rica da arte que seja reforçada por descobertas científicas”, disse Francesca Casadio, diretora executiva de conservação e ciência do Art Institute of Chicago, em um encontro da Associação Americana para o Avanço das Ciências em Austin, Texas.

Imagem: Pablo Picasso. La Miséreuse accroupie, 1902. Óleo sobre tela, 101.3 x 66 cm. Galeria de Arte de Ontário. Presente anônimo, 1963. © Picasso Estate.

Picasso pintou a La Misereuse Accroupie em 1902 e atualmente a obra é exibida na Galeria de Arte de Ontário. Os pesquisadores utilizaram uma técnica não-invasiva chamada espectroscopia fluorescente de raio-x para analisar a pintura.

Foi descoberto que o artista pintou esse trabalho em cima de outra pintura de uma paisagem, de um artista desconhecido e incorporou as formas da paisagem na figura da mulher. Você consegue ver a paisagem se girar a imagem 90 graus para a esquerda.

Ele também fez uma mudança na pintura na metade do caminho – ele pintou o braço da mulher e então o cobriu com o manto.

“Mapas de distribuição de alguns elementos característicos dos pigmentos presentes em diferentes camadas da pintura de La Miséreuse accroupie. © Northwestern University/Art Institute of Chicago Center for Scientific Studies in the Arts (NU-ACCESS)“

Outro time jogou luz sobre algumas das esculturas do artista (literalmente). Antes, os pesquisadores não conheciam a fundição de onde cinco de seus moldes vieram. Eles utilizaram o mesmo método de espectroscopia fluorescente de raio-x para criar uma impressão digital dos metais das esculturas. O metal revelado veio da fundição no sul de Paris do colaborador de Picasso, Emile Robecchi, entre 1941 e 1942.

“Pablo Picasso, Tête de femme de profil (Marie­-Thérèse), Boisgeloup, 1931, escultura, bronze, Musée national Picasso – Paris, (C) RMN-Grand Palais”, “Cabeça de Mulher, em Perfil”, lançado sem uma marca de fundição em Paris na década de 1940. Uma equipe de pesquisa do Museu Nacional Picasso-Paris e da Northwestern University/Instituto de Arte do Centro de Estudos Científicos em Artes de Chicago (NU-ACCESS) rastreou o trabalho para a fundição de Émile Robecchi, um colaborador menos conhecido de Picasso, e datou a peça de bronze para o ano de 1941″.

Física de partículas e arte parecem andar de mãos dadas. Até mesmo o Louvre tem um acelerador de partículas para analisar trabalhos, conforme a reportagem da BBC. Mas essa pesquisa é animadora principalmente pelos fatos que revela sobre Picasso.

“Se existe algo que deve se destacar, é como os artistas são engenhosos”, disse Julio Ottino, reitor da Escola McCormick de Engenharia e Ciência Aplicada da Northwestern University. “Eles usam tudo à sua disposição. Eles sabem como operar com restrições”.

Imagem do topo: Instrumento de raio-x fluorescente configurado para escanear a La Miséreuse accroupie, com Emeline Pouyet daNorthwestern University (esquerda) e Sandra Webster-Cook da Galeria de Arte de Ontário. © Art Gallery of Ontario (AGO)