É apenas terça-feira, mas mais de 11 mil cientistas ao redor do mundo se juntaram para declarar que estamos em uma emergência climática. O estudo deles, publicado nesta terça-feira (5), no periódico Bioscience, apresenta a ciência por trás dessa emergência e soluções para como podemos lidar com ela.

Os cientistas não são as primeiras pessoas a fazer esta declaração. Uma nação tribal no Yukon canadense, o Reino Unido e partes da Austrália chegaram à mesma conclusão sombria. Nos EUA, os membros do Congresso pressionaram o governo federal a fazer o mesmo, mas não rolou. De qualquer forma, este comunicado dos cientistas é significativo, porque eles não estão fazendo isso por um agenda política ou como um clamor emocional. Eles estão declarando uma emergência climática baseado na ciência.

Os signatários, que são de 153 países, observam que as sociedades adotaram poucas ações para evitar desastres climáticos. Tem sido um negócio, como sempre, apesar do consenso científico de que a queima de combustíveis fósseis e a condução de carros estão prejudicando gravemente o meio ambiente —  o ambiente em que todos nós teremos de viver no futuro próximo. As emissões de gases de efeito estufa continuam a entrar na atmosfera e, se não pararmos rapidamente, estaremos condenados.

Os cientistas oferecem indicadores diferentes além da temperatura global que líderes mundiais devem monitorar, como crescimento populacional, consumo de carne, consumo de energia e perdas econômicas anuais devido a eventos climáticos extremos. Isso pode ajudar a todos nós a acompanhar o progresso que fizemos para enfrentar a crise climática. Diminuir as taxas de natalidade e um aumento de energia renovável significa que as coisas estão melhorando. Uma diminuição na cobertura arbórea ou no crescimento da população de animais, no entanto, sinaliza o contrário. Mas há tempo para agir — e esses cientistas estão nos exortando a atender o chamado deles.

“Embora as coisas estejam ruins, nem tudo é desesperador”, disse Thomas Newsome, signatário do estudo e pesquisador da Universidade de Sydney, em um comunicado à imprensa. “Podemos tomar medidas para resolver a emergência climática”.

Essas etapas envolvem a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis, a redução de poluentes que exacerbam o aquecimento (como hidrofluorcarboneto), a restauração de florestas, a mudança para uma dieta baseada principalmente em vegetais, a estabilização da população global e a transformação da economia. Nossa economia baseada em combustíveis fosseis precisar desaparecer se quisermos resolver as mudanças climáticas. Escreveram os cientistas:

Mitigar e adaptar-se às mudanças climática, ao mesmo tempo que honra a diversidade de seres humanos, implica grandes transformações nas formas como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais. Somos encorajados por uma recente onda de preocupação. Órgãos governamentais estão fazendo declarações de emergência climática. Algumas crianças estão fazendo greves. As ações judiciais de ecocídio [destruição em larga escala do meio ambiente] estão em andamento nos tribunais. Os movimentos de cidadãos de base estão exigindo mudanças, e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas estão respondendo.

Como a Alliance of World Scientists [Aliança dos Cientistas do Mundo, em tradução livre], estamos prontos para ajudar os tomadores de decisão em uma transição justa para um futuro sustentável e equitativo. Exortamos o uso generalizado de sinais vitais, que permitirão aos formuladores de políticas, ao setor privado e ao público entender melhor a magnitude dessa crise, acompanhar o progresso e realinhar as prioridades para aliviar as mudanças climáticas. A boa notícia é que essa mudança transformadora, com justiça social e econômica para todos, promete um bem-estar humano muito maior a longo prazo do que os negócios habituais. Acreditamos que as perspectivas serão maiores se os tomadores de decisão e toda a humanidade responderem prontamente a esse aviso e declaração de emergência climática, e agirem para sustentar a vida no planeta Terra, nosso único lar.