Por Bruno Izidro

Lançado recentemente para Xbox One, o Rare Replay é o melhor custo-benefício para se ter no console da Microsoft, reunindo 30 títulos para comemorar os 30 anos da Rare. Entre eles estão clássicos como Banjo-Kazooie, Battletoads, Conker’s Bad Fur Day e Killer Instinct Gold.

Esses jogos, por si só, já valeriam o pacote, mas a coletânea também traz muitos títulos do passado do estúdio britânico. Alguns, claro, estão lá mais pelo valor histórico, já outros ainda conseguem passar na prova do tempo e divertir hoje em dia. Por isso, em vez de falarmos dos clássicos (que já sabemos que são bons), listamos aqui cinco jogos menos famosos presentes no Rare Replay, mas que deveriam ganhar um pouco mais de atenção.

Atic Atac

Um dos primeiros jogos da Rare, quando o estúdio ainda se chamava Ultimate Play The Game, Atic Atac pode ser considerado um tataravô de The Binding of Isaac, não por ser um roguelike, mas pelo conceito de explorar labirintos e procurar itens.

No jogo é preciso escolher entre um guerreiro, mago ou um “servo”, que fica preso em um castelo e precisa achar peças de uma chave dourada para sair antes do tempo acabar. Cada cômodo do castelo tem inimigos e também passagens trancadas com outras chaves que estão em diferentes parte do lugar.

A princípio não faz muita diferença qual dos três personagens escolher, já que todos possuem praticamente o mesmo tipo de ataque. É somente depois de um tempo que se percebe que certas passagens secretas no cenário, como um estante amarela ou um medalhão com “1984” escrito, são habilitadas dependendo da classe.

Essa característica serviria para deixar a exploração única para cada personagem, mas é aí também que o jogo apresenta suas falhas, já que muitos recursos só são aprendidos depois de muita tentativa e erro, como alguns itens que se pode adquirir, mas não sabemos direito o que fazer com eles ou como derrotar os “chefes” que guardam os pedaços da chave douradas que procuramos.

Ainda assim, é louvável esse tipo de complexidade para um jogo de 1983 e que só foi lançado para os computadores 8-bit como ZX Spectrum. Além disso, a versão contida na Rare Replay possibilitar os recursos de voltar no tempo alguns segundos e de vidas infinitas, para a frustração não ser tão grande.

Slalum

Slalum é um jogo com histórico bem importante. Ele foi o primeiro jogo da então recém-formada Rare e também da longa e bem sucedida parceria com a Nintendo. Slalum é bem diferente do que o estúdio fazia na época de Ultimate Play The Game: um jogo de corrida de esqui.

O jogo pode até parecer simples, mas não se engane: Slalum pode ser bem desafiador, não só por causa dos obstáculos que aparecem na prova, mas principalmente por haver um tempo para se alcançar a chegada, afinal, ele é um jogo de corrida.

Além de ter um visual bem elaborado para a época, Slalum também marca a estreia de David Wise na trilha sonora dos jogos da Rare. Ali começava a parceria que culminaria, alguns anos depois, em uma das trilhas mais marcantes do videogames, com Donkey Kong Country.

Cobra Triangle

Esse jogo de “barquinho” vai te surpreender pela variedade. Por vezes é um jogo de corrida, mas logo depois se transforma num jogo de ação para em seguida se tornar um combate de veículos. Cobra Triangle muda de objetivo a cada fase.

Em uma delas, por exemplo, precisamos roubar minas aquáticas para detoná-las em um lugar seguro. Já em outra navegamos contra o fluxo do rio, desviando de troncos de árvores e redemoinhos. Tem até mesmo lutas contra chefe (a cobra marítima da capa do jogo), tudo isso usando sempre a sua super lancha.

O jogo tem mais de 20 fases, que vão aumentando a dificuldade quanto mais se progride e serão muitas as telas de “Game Over” vistas, mesmo com a versão do Rare Replay facilitando um pouco as coisas com o recurso de voltar alguns segundos no tempo para desfazer os erros. O bom de Cobra Triangle é que ele incentiva o jogador a continuar só para vermos quais outros objetivos diferentes estarão na próxima fase.

Lançado para Nintendinho no final dos anos 1980, Cobra Triangle foi um dos jogos que mais me surpreendeu no Rare Replay.

R.C. Pro-AM II

Se hoje em dia carrinhos de controle remoto estão ficando conhecidos por jogar bola, R.C Pro-Am nos mostra como eles começaram em seu estado mais básico: com jogos de corrida. A Rare Replay possui o R.C Pro-Am I e II, mas é nesse último que você deve prestar mais atenção.

A continuação foi um dos últimos títulos da vida do Nintendo 8-bits e é um jogo mais bem resolvido do que o original, tanto pelo visual melhor quanto pelas mudanças que o deixam mais divertido, além de possui um modo multiplayer para até quatro jogadores.

A ideia de R.C Pro-Am II é bem simples: competir em diversas pistas, chegar entre os três primeiros para ganhar pontos e, principalmente, dinheiro, que serve para comprar melhores equipamentos para seu pequeno possante.

Assim como os jogos mais antigos presentes da coletânea, a dificuldade elevada do jogo é amenizada com o recurso de voltar no tempo, o que se mostra útil no desvio de obstáculos que aparecem vez ou outra nas provas, principalmente com bombas que são jogadas por aviões que passam na pista.

A visão isométrica lembra de cara Rock ‘n Roll Racing, mas não se engane, porque R.C Pro-Am veio muito antes e, inclusive, foi uma das inspirações do clássico da Blizzard.

Jet Force Gemini

Imagine uma mistura de Banjo-Kazooie com Super Metroid e teremos Jet Force Gemini, um jogo que, certamente, é o menos lembrado da Rare na época do Nintendo 64.

Nesse shooter de terceira pessoa com elementos de plataforma, controlamos os integrantes da força especial que dá nome ao jogo: Juno, Vela e o cachorro Lupus, que precisam salvar um povo tribal que foi escravizado por uma raça de insetos espaciais.

Talvez o mais interessante em jogar Jet Force Gemini hoje em dia é termos a noção que nem sempre jogos de ação e aventura foram cheio de momentos cinematográficos e com visão por cima do ombro. Os gráficos, como todo jogo 3D da época, já são bem datados e os controles bem problemáticos (principalmente com a movimentação e mira dos personagens), mas ainda assim o jogo não deixa de ter seu charme.

Jet Force Gemini é mais uma mostra da versatilidade de jogos que a Rare desenvolvia. O estúdio tinha acabado de lançar dois de seus clássicos mais lembrados hoje em dia, o FPS Goldeneye 007 e o plataforma Banjo-Kazooie, e ainda assim experimentava com um shooter de terceira pessoa.

O jogo pode não ter a mesma qualidade dos demais jogos da empresa na época, mas está bem longe de ser ruim e vale a pena ser experimentado.

rare_replay_games

Esses são só alguns dos melhores exemplos presentes na Rare Replay. O bom da coletânea é que ela incentiva os jogadores a jogar pelo menos uma vez cada game. Isso porque quanto mais se joga mais se ganha “stamps”, selos que quando acumulados desbloqueiam alguns extras, como making-of dos principais jogos da Rare, um documentário com funcionários do estúdio e outros segredos.

Fora esses extras, o pacote conta também com o modo Snapshots, uma miscelânea de várias fases de diferentes jogos e com objetivos específicos para se cumprir, algo parecido com o Nes Remix lançado há algum tempo para Wii U. Rare Replay é daquelas coletâneas que te vencem pela quantidade, mas que traz também muita qualidade se você procurar direitinho. Além disso, o pacote pode atrair tanto alguém que cresceu com esses jogos quanto quem está tendo contato com a Rare pela primeira vez.

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Rare Replay está disponível exclusivamente para Xbox One. A cópia do jogo para elaboração desse post foi cedido pela Microsoft.