Há cerca de 100 milhões de anos, cobras tinham quatro membros, e a evolução as transformou nesses répteis rastejantes que são hoje em dia. Agora cientistas acreditam que isolaram a causa dessa mudança nesses animais.

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Dois grupos separados de cientistas chegaram a conclusões semelhantes sobre a mutação no que é conhecido como “gene Sonic hedgehog“. Anteriormente, cientistas descobriram que esse gene teve papel importante na definição do tamanho das patas de lagartos. Isso os levou a acreditar que ele também é importante para a biologia das cobras.

Um desses cientistas é Martin Cohn, biólogo de desenvolvimento evolutivo da Universidade da Flórida em Gainesville, que acabou de publicar um estudo na Current Biology. Em conjunto com a estudante Francisca Leal, Cohn desenvolveu um estudo que ele vem fazendo desde 1999.

De acordo com a Science Magazine, Cohn “descobriu que embriões de cobra têm um padrão diferente de atividade de certos genes em relação a outros répteis, e que a aplicação de um fator de crescimento poderia fazer esses embriões desenvolverem membros.” Mas ele precisava de ferramentas genéticas mais avançadas para seguir com a investigação.

Agora, equipado com métodos de monitoramento de atividade genética, durante o desenvolvimento de genomas totalmente sequenciados de cobras e lagartos, Cohn conseguiu testar essa teoria. Da Science Magazine:

Eles descobriram três deleções de DNA no interruptor genético que controla a atividade do gene Sonic hedgehog. Situado em frente a esse gene, esse interruptor, chamado de acentuassomo, é um local de ancoragem para proteínas que controlam a atividade do gene. Essas deleções dificultam a chegada de certas proteínas, resultando em uma breve janela de atividade genética durante o desenvolvimento do embrião do píton.

Quando os pesquisadores olharam para as cobras que não possuem pernas, eles encontraram as mesmas deleções nos acentuassomos.

No mesmo dia da publicação do estudo de Cohn, Axel Visel, um geneticista do Laboratório Nacional Berkeley, na Califórnia, publicou outra pesquisa na Cell. Visel conseguiu usar a técnica de edição genética CRISPR-Cas9 para testar a teoria.

Usando camundongos como cobaias, ele e seus colegas inseriram a versão do acentuassomo Sonic hedgehog encontrado em cobras, e também colocaram as versões de peixes e até de humanos. Para os camundongos que receberam os acentuassomos de humanos e de peixes, as patas cresceram normalmente. Os camundongos com os acentuassomos de cobra desenvolveram pequenas protuberâncias.

É possível que o acentuassomo Sonic hedgehog não sera a primeira causa da perda das patas, “mas certamente tem papel importante,” disse James Hanken, um biólogo de desenvolvimento evolutivo da Universidade de Harvard.

Até agora cientistas elogiaram ambos os estudos, e os pesquisadores envolvidos dizem que ainda há muita coisa a ser feita.

[Science Magazine]

Foto via stacieharmon1/Flickr