O museu de design Cooper-Hewitt do Smithsonian, em Nova York, acaba de adquirir o código-fonte de um aplicativo para iPad chamado Planetary. Código agora é oficialmente arte?

O Planetary, como você pode ver no vídeo abaixo, é basicamente um visualizador extravagante de música. O código-fonte do app foi doado para o Cooper-Hewitt, que prontamente o tornou open-source, para que as pessoas usem seus métodos de visualização para outros fins.

Além das linhas originais do código, o museu se comprometeu a preservar até as ramificações do projeto open-source, e nutrir o seu desenvolvimento. O código-fonte do Planetary também foi impresso em fonte OCR-A (legível por máquina) para o arquivo permanente. Parece que a posteridade requer um registro em papel físico, um pouco menos fugaz do que um arquivo digital.

Na história da programação, este texto em C++ não interessa tanto. É mais importante que o Copper-Hewitt optou por guardar o código, em vez de preservar o que o código realmente faz. O museu postou um belo ensaio há alguns dias, explicando por que fez isso:

Nós já temos vários objetos “digitais” em nossa coleção: calculadoras, computadores desktop, iPads e iPhones – mas só o coletamos em sua forma física. O iPhone da nossa coleção não foi ligado nem atualizado com novas versões de software. No fim, o próprio hardware pode ser considerado tão delicado que ligá-lo poderia danificá-lo irremediavelmente – algo comum a muitos objetos eletrônicos em coleções de ciência e tecnologia. Como, então, preservar a riqueza e novidade das interfaces de software… que contribuíram tanto quanto o design industrial – se não mais – para o sucesso desse dispositivo?

Para entender melhor, compare linhas de código a um projeto arquitetônico. Talvez você concorde que o projeto é importante, sob um ponto de vista artístico e histórico, para a própria estrutura final. Não poderíamos dizer o mesmo sobre os planos em código-fonte de um aplicativo? Ou até mesmo sobre o firmware que usa os chipsets em nossos celulares? Hardware e software se tornaram um só, afinal.

Criar código sempre foi uma arte, e agora, ao que parece, estamos prontos para considerá-lo como arte de fato. [Cooper-Hewitt e GitHub via TechCrunch]