Com o recém-eleito presidente Iván Duque, a Colômbia está testando drones pilotados por controle remoto para rastrear e destruir coca, a planta usada na produção de cocaína. O governo supostamente testou dez drones até agora.

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Os drones carregam cargas de glifosato, um poderoso herbicida. Durante testes iniciais, eles destruíram “centenas de hectares de coca”, noticia o Wall Street Journal. O governo de Duque espera que os drones ofereçam mais precisão do que os métodos tradicionais de pulverização de plantações, que dependem de aviões pequenos e, frequentemente, prejudicam plantações próximas legítimas.

O presidente Duque disse em uma entrevista que os drones, fornecidos à polícia colombiana pela empresa Fumi Drone SAS, “permitem precisão total em baixa altitude acima das plantas e, além disso, minimizam o dano e as implicações para terceiros”. Diferentemente da pulverização tradicional de colheita, os drones podem sobrevoar a cerca de 60 cm acima das plantas de coca, borrifando uma concentração muito menor de glifosato.

Conforme noticia o WSJ, a Colômbia teve reduções drásticas na produção de plantas de coca entre 2001 e 2012, graças em parte ao policiamento aéreo agressivo. Em 2012, entretanto, a prática foi desacelerada depois de a Organização Mundial da Saúde alertar que o glifosato podia ser cancerígeno. O ex-presidente Juan Manuel Santos proibiu a prática completamente em 2016, apaziguando as preocupações com a saúde, mas revertendo os ganhos feitos na destruição de plantações. O jornal norte-americano informa que havia 190 mil hectares de coca na Colômbia em 2001 e 78 mil em 2012. A Casa Branca, no entanto, alega que os campos de coca chegaram a 208 mil hectares em 2017.

Imagem: Divulgação/Fumi Drone SAS

A reportagem menciona que Duque teme que o uso de drones levará a mais confrontos no solo entre a polícia e os fazendeiros. Um drone individual só consegue lidar com uma carga útil de 1/80 da quantidade de herbicida de um avião tradicional. A baixa altitude e a necessidade de reabastecer o herbicida significa a presença de mais operadores de drone e policiais em terra, potencialmente levando a confrontos — especialmente com muitos fazendeiros descobrindo que, economicamente, um campo de coca não pode ser facilmente substituído por plantações legalizadas.

“Se eles vierem com fumigação (controle de praga) forçada, haverá confrontos com a polícia”, disse Leider Valencia, porta-voz de uma organização que representa os fazendeiros de coca, em entrevista ao Wall Street Journal. “Isso eu prometo.”

[WSJ]

Imagem do topo: AP