por Thiago Simões

O dia 28 de maio ficará guardado na história da humanidade e, principalmente, para nós apaixonados por jogos de videogame. Um dia depois do escândalo da FIFA tomar conta da mídia, as mulheres e todos nós que lutamos por uma sociedade igualitária abrimos um sorriso no rosto.

Desde o fim do século XIX, a mobilização feminina por direitos civis, políticos e sociais fazem parte do nosso contexto. 1932 foi uma data especial para as mulheres: foi o ano em que elas adquiriram o direito ao voto. Em 1962, veio o direito de trabalhar fora de casa sem o consentimento do marido, depois de 11 anos de luta nos bastidores do Congresso Nacional. Tivemos, ao longo dos anos, a criação da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher, a primeira senadora, a primeira governadora e a primeira presidente.

Pela segunda vez na história de um jogo de futebol virtual, teremos a presença de seleções femininas. É o que foi anunciado pela EA Sports para o próximo jogo de sua franquia, o FIFA 16. Serão doze seleções, como Brasil, França, Alemanha, Espanha e Estados Unidos.

Futebol feminino nos games

Mariana Ribeiro, 21, publicitária e fã da franquia, entrou no mundo dos jogos eletrônicos em 2002, e nunca mais parou. “Fui jogar com o meu tio, na casa de uns amigos, e ninguém acreditava que eu jogava FIFA. Acabei desafiando um dos amigos dele e venci por 6 a 2, com o Bayern de Munique, meu time de sempre”. Mas não pense que ela apenas se diverte, sua intenção é propagar a brincadeira para outras garotas, inclusive sua irmã, de apenas 10 anos! “Fiz ela se apaixonar pelo game também, a ponto de sempre implorar pra eu jogar com ela”.

O início

As mulheres já receberam um jogo de futebol exclusivo. Em 2000, o surgimento de Mia Hamm Soccer 64, para Nintendo 64, trazia uma das principais jogadoras da época no futebol feminino e foi um jogo que também ganhou destaque pelos mesmos motivos da inserção de jogadoras no FIFA 16.

O game foi uma adaptação feita sobre o título Michael Owen’s World League Soccer, lançado na Europa, trouxe 32 seleções nacionais e 18 times de futebol feminino norte-americanos. Apesar da novidade e chamar a atenção pelo feito, Mia Hamm Soccer 64 foi assolado pela crítica especializada, fazendo com que sumisse de todas as partes do planeta.

Futebol feminino nos games

Um novo olhar sobre o mercado?

Um estudo do Entertainment Software Association, de 2014, apontou que praticamente não existe mais diferença entre quem joga mais videogame. O documento mostra que as mulheres já são 48% de toda a fatia do mercado, ou seja, um empate técnico. Por isso, nada melhor do que começar a investir na mulherada! Kassiane Mentz, 28, analista e desenvolvedora de sistemas, fã de FIFA e PES, também gostou da iniciativa de inserir atletas femininas no jogo e lembrou de um fator importante para o futuro do mercado de jogos eletrônicos. “Gostei muito da ideia de trazer as seleções femininas para o videogame. É uma maneira de popularizar e atrair patrocinadores para o futebol feminino. Mas senti falta da Marta!”

Teoricamente, a notícia deve impulsionar as vendas do game, em especial entre o público feminino. Este será um dos motivos para que a game producer Sabrina Carmona, 27, adquira a edição. “Adorei saber disso [times femininos no FIFA 16]. Vou comprar o jogo justamente porque vai ter isso! Tenho o título de 2015 e vou comprar o 16 com toda certeza. Eu normalmente pulo um ano, mas dessa vez achei o máximo!”. A estudante Mariana Capra, 18, também pensa parecido. “Acho muito legal essa iniciativa do game. É um passo importante para a igualdade no esporte, ainda mais agora com o crescente aumento no número de mulheres ligadas ao futebol e ao jogo. Com certeza, comprarei a nova versão do FIFA”.

É uma pena que mesmo com todas essas conquistas, ainda encontramos na internet quem esteja protegido pelo anonimato e tenha a “coragem” de dar mais de 14 mil dislikes no vídeo do Youtube postado abaixo, apenas pelo fato de termos seleções femininas incluídas no mundo.

Para terminar este artigo, fico com a frase da jornalista e editora-chefe do site Donas da Bola, Renata Graciano.

“A inclusão das seleções femininas soa como uma vitória pessoal de toda menina que curte e entende futebol. Um passo pequeno, mas de uma importância enorme e significativa. Estamos chegando, meninos.”

divisoriagizmodo

Thiago Simões é comentarista de futebol e hóquei no gelo na ESPN, e toda segunda-feira ele falará de games em sua coluna para o Gizmodo Brasil. Siga o Thiago no Twitter.