Em maio de 2021, pesquisadores do Projeto Múmia de Varsóvia revelaram o que foi descrito como a primeira múmia grávida já encontrada na história. Anteriormente, o corpo havia sido atribuído a um homem, mas pesquisas recentes mostraram que sob as bandagens estava uma mulher entre a 26ª e a 30ª semana de gestação.

A múmia recebeu o nome de Senhora Misteriosa devido aos vários enigmas que cercaram sua trajetória. Muitos de seus segredos foram esclarecidos, mas faltava entender mais sobre o feto que ela levava na barriga.

Agora, cientistas revelaram o processo incomum de decomposição que levou o feto a permanecer preservado por mais de 2 mil anos. O estudo foi publicado no Journal of Archaeological Science.

A múmia foi coberta por natrão, uma mistura natural de carbonato de sódio hidratado e bicarbonato de sódio. Os cientistas também detectaram pequenas quantidades de cloreto de sódio e sulfato de sódio. Enquanto isso, o feto de múmia permaneceu dentro do útero como um “picles em conserva”.

Processos químicos relacionados a decomposição levaram a uma mudança do Ph dentro do corpo da mulher. Quando uma pessoa morre, o ácido fórmico começa a ser liberado no sangue, tornando o corpo da pessoa falecida ácido.

Feto de múmia
Imagem: Warsaw Mummy Project/Facebook/Reprodução

Essa alteração de um ambiente alcalino para ácido levou à descalcificação dos ossos fetais. Em resumo, os ossos começaram a secar e se mineralizar, enquanto os tecidos moles do bebê permaneceram perfeitamente preservados. 

Na página de Facebook do Warsaw Mummy Project, os pesquisadores escreveram que “o feto na Senhora Misteriosa é um caso especial de uma múmia dentro de outra múmia, que também é uma descoberta única por si só”. Os arqueólogos pretendem continuar publicando descobertas sobre a mãe e seu filho.