Estava tudo certo para Krinkle Krusher ser lançado no fim do ano passado. O jogo dos mineiros da Ilusis Interactive chegaria ao portátil PS Vita e era o primeiro resultado concreto da parceria que a Sony anunciou com estúdios brasileiros em 2013. Porém, os desenvolvedores viram que o jogo, um tower defense ao estilo de Plants vs Zombies, também poderia se dar bem nos consoles. Uma versão para PS3 já era quase certa, só faltava conseguir algo para o badalado PS4.

“Enviamos a proposta para a Sony e ela foi aprovada. Foi um momento importante para a gente, ter contato com o desenvolvimento no PS4”, conta o diretor da Ilusis, Rodrigo Mamão, ao Gizmodo.

O único problema é que, com essas adições, o jogo teve que ser adiado para 2015. Eis que finalmente, nesta terça-feira (7), Krinkle Krusher chega ao PS4 (além do PS Vita e PS3) e se torna o primeiro jogo brasileiro lançado para um console da atual geração.

O jogo está disponível na PSN e os próprios desenvolvedores admitem que sim, é um jogo pequeno. “Mesmo sendo um jogo com escopo relativamente pequeno procuramos atingir uma qualidade que nos deixasse orgulhosos por lançá-lo”, fala Mamão. Será que eles conseguiram? Nós já testamos o jogo no PS4 e mostramos e falamos aqui um pouco dele.

Toques mágicos

Krinkle Krusher

Como em todo jogo do gênero tower defense, o objetivo em Krinkle Krusher é defender um lugar (no caso, o castelo do rei) de hordas de inimigos, que aqui são os Krinkles que dão nome ao game. Para impedir a invasão das criaturas, controlamos a luva falante Mitty que, conforme o jogo avança, vai ganhando anéis mágicos com poderes de raio, fogo, vento e etc.

De cara é possível perceber que os controles tiveram que ser bem adaptados, já que ele foi pensado com outra plataforma em mente. Fato é que quando a Ilusis decidiu levar Krinkle Krusher para a nova geração, eles já estavam finalizando a versão original de Vita e, no portátil, as magias são executadas com gestos no touchpad do aparelho. Já nos consoles, os comandos são feitos pelos botões triângulo, quadrado, bola, xis e L1 (são cinco anéis com poderes diferentes para cada dedo) e movimentamos a luva pelo cenário com o analógico.

O que me intrigou é que no Dualshock 4 há um touchpad no meio. Então, porque não utilizá-lo? “A tela de toque (no controle do PS4) foi uma opção, mas a superfície pequena e a dificuldade na transposição dos gestos curtos para a tela grande atrapalhava a jogabilidade”, me respondeu Rodrigo Mamão, da Ilusis. “No final percebemos que manter a mecânica dos gestos deixaria a interação mais lenta”, completa, ao afirmar também que esse foi um dos principais desafios em levar o jogo para o PS4.

Apesar da movimentação da luva com o analógico parecer um pouco sensível demais no início, é possível se acostumar a ela em pouco tempo. Ainda bem, porque qualquer vacilo na adaptação dos controles arruinaria toda a experiência do jogo, que já apresenta uma dificuldade bem alta.

Sim, não se engane com os estilo cartunesco e com o tom mais descontraído: Krinkle Krusher não é um simples jogo casual. Assim como uma de suas principais inspirações, Plants vs Zombies, o jogo brasileiro apresenta novidades a cada fase, seja um novo poder, um novo tipo de inimigo ou uma nova estratégia para não deixar os Krinkles derrubarem os muros do castelo.

Krinkle Krusher

O desafio aumenta gradativamente até você se ver em um cenário cheio de criaturas correndo em sua direção, exigindo reflexo e pensamento rápidos para impedir o progresso delas. É aí que o uso combinado de magias entra em ação.

A dificuldade maior em Krinkle Krusher está em saber administrar todos os seus poderes, já que cada um tem um limite de vezes para ser usado. Se exagerar nisso, o anel quebra e demorará um tempo para se recompor. Um tempo que pode significar a sua derrota.

As magias, por sinal, deixam Krinkle Krusher mais divertido e, ao mesmo tempo, desafiador. A Ilusis conta que os poderes e, principalmente, a necessidade de combinar seus efeitos, foram inspirados no jogo Magika e é nessa mistura de conceito de tower defense com elementos de ação que o jogo se destaca.

Com mais de 50 fases divididas em três mundos, chefes e sistema de evolução dos poderes, Krinkle Krusher é aquele típico caso de um jogo simples e rápido de jogar, mas que também pode exigir mais empenho e dedicação dos jogadores, principalmente nas fases mais avançadas.

Um bom começo para jogos brasileiros no PS4

Krinkle Krusher

No PS4, Krinkle Kruser está em full HD, com gráficos e visual bem agradáveis. As adaptações nos controles fazem com que ele seja perfeitamente jogável nos consoles, mas algumas características, como as partidas rápidas de cada fase, não negam que ele pode ser melhor aproveitado quando jogado no portátil da Sony.

Talvez o melhor dos dois mundos seja a função remote play que o jogo brasileiro possui, sendo possível jogar o Krinkle Krusher de PS4 pela tela do PSVita. Isso, claro, se você tiver os dois aparelhos em casa.

Ainda assim, mesmo com a “alma” de um jogo de PSVita, o lançamento de Krinkle Krusher no PS4 marca um bom começo de jogos brasileiros na atual geração de consoles. Em 2015 ainda devemos ter Toren, Chroma Squad e Ninjin no PS4, além da versão de Aritana e a Pena da Harpia no Xbox One.

divisoriagizmodo

Krinkle Krusher está disponível somente em versão digital, na PSN, e é cross buy entre PS4, PS3 e PSVita, o que significa que ao comprar uma versão do jogo você recebe as outras duas de graça. A cópia para análise do jogo pelo Gizmodo foi cedida pela desenvolvedora, a Ilusis.