"Culpado"

Eu sei que trata-se de ciência, que é largamente mais objetiva e factual do que a intuição humana, mas mesmo assim há algo que me parece assustador em saber que um exame de ressonância magnética cerebral foi usado como prova em um julgamento de homicídio em Chigago, pela primeira vez nos EUA.

Neste caso o exame foi utilizado pela defesa para evitar a pena de morte, ao contrário de um caso na Índia ano passado, quando uma mulher foi condenada por assassinato com base em um duvidoso exame como este. Especificamente, o exame deste caso tem como objetivo provar que o cérebro do réu não é normal — é psicopático — e que, por isso, ele não deve ser condenado à morte. O juri não discordou, mas levou 10 horas para chegar ao veredicto de que Dugan deveria pagar pelo seu crime com a morte. Sem o exame, o advogado de Dugan disse que eles não teriam levado nem uma hora.

É um troço difícil de cair a ficha, essa coisa de poder olhar dentro do cérebro de uma pessoa, literalmente ler a sua mente. É algo que vem da ficção, da paranormalidade, usado cientificamente como um meio de detecção do que é certo e errado, do que é mentira e verdade. Exames para determinar quanta punição o seu crime merece logicamente levarão a exames para determinar se você cometeu ou não um crime, que logicamente levarão a exames que revelarão todo crime que você jamais cometeu, uma confissão inevitável. Que segredos o seu cérebro revelaria? [Science Mag via Wired]