Um estudo publicado na Science Translational Medicine sugere que um composto químico chamado farnesol, normalmente encontrado em frutas e ervas, pode ajudar a prevenir a perda de neurônios, e consequentemente evitar doença de Parkinson. 

O ‘mal de Parkinson’ é um distúrbio do sistema nervoso que afeta a coordenação motora, normalmente acomete pessoas mais velhas, acima dos 65 anos e em grande parte das vezes inclue tremores. A doença ocorre quando algumas células do cérebro são afetadas e diminuem drasticamente o nível de dopamina – um mensageiro químico responsável por levar informações para várias partes e está ligado ao humor e motivação.

O cérebro de pessoas com doença de Parkinson funciona como um ciclo. Existe uma proteína chamada Parkin que localiza elementos tóxicos às células nervosas e provoca a destruição das ameaças. No entanto, ela pode deixar de ser produzida devido a mutações genéticas. Nesse momento, há um acúmulo de uma proteína chamada PARIS que, quando produzida em excesso, retarda a fabricação de uma terceira proteína chamada PGC-1alfa; essa por sua vez, é responsável por proteger as células do cérebro. Sem a PGC-1alfa, as células ficam vulneráveis e não produzem dopamina. 

No caso desta pesquisa, os cientistas estudaram como o farnesol poderia proteger o cérebro de camundongos dos efeitos do acúmulo de PARIS. Para isso, eles dividiram em dois grupos: um recebeu uma dieta replate de farnesol e o outro recebeu uma dieta normal. Em seguida, os pesquisadores injetaram uma proteína associada aos sintomas do mal de Parkinson no cérebro.

Como resultado, a equipe descobriu que os camundongos que consumiram uma dieta de farnesol, obtiveram um resultado melhor num teste de força e coordenação – funciona como um exame diganóstico dos sintoas da doença de Parkinson. A resposta foi quase 100% melhor do que o grupo que seguiu uma dieta normal.

Posteriormente, quando os pesquisadores estudaram o tecido cerebral de ratos nos dois grupos, descobriram que os camundongos que receberam farnesol tinham duas vezes mais neurônios saudáveis de dopamina, do que os camundocos não alimentados. Além diso, os animais que seguiram uma dieta também tinham aproximadamente 55% a mais da proteína protetora PGC-1alpha em seus cérebros do que os camundongos não tratados.

Ted Dawson, diretor do Johns Hopkins Institute for Cell Engineering e professor de neurologia na Johns Hopkins University School of Medicine, falou que os resultados da equipe mostraram que o farnesol evitou significativamente a perda de neurônios de dopamina e reverteu os as falhas comportamentais em camundongos. 

Essa capacitada do farnesol de bloquear a proteína PARIS e impedir que ela se acumule no cérebro, deixa os pesquisadores empolgados, já que segundo eles, isso pode significar um avanço no tratamento para pessoas com a doença.

A notícia é muito bem-vinda. Só no Brasil, estima-se que existam cerca de 200 mil pessoas com o mal de Parkinson e que nos últimos cinco anos, esse número aumentou cerca de 16%. 

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Apesar da boa notícia, a equipe alerta que ainda não há uma quantidade exata estimada para que haja o mesmo benefício em humanos – ainda que o farnesol seja produzido e injerido naturalmente. Por isso, a equipe espera que algum dia, ou muito em breve, novas pesquisas possam determinar como isso pode ser reproduzido para ajudar as mais de oito milhões de pessoas vivendo com mal de Parkison no mundo. 

[SciTechDaily]