Portão do Inferno: esse é o nome popular da Cratera de Darvaza, localizada no norte do Turcomenistão, país da Ásia Central e ex-república soviética.

A história da formação da gruta inflamada é cercada de mistérios. Acredita-se que ela exista desde 1971. Uma das teorias mais populares é que geólogos soviéticos estavam perfurando o deserto de Karakum para encontrar petróleo. No momento de furar o chão, eles se depararam com uma reserva de gás natural que fez com que a terra desmoronasse.

As teorias dizem que, então, a equipe responsável pela perfuração incendiou o local intencionalmente — uma forma de evitar a disseminação de metano. Segundo relatos, os profissionais esperavam que o evento fosse durar apenas uma semana. Mas a área continua queimando desde a década de 1970. 

O explorador canadense George Kourouni realizou uma viagem ao local em 2013 para o canal National Geographic, com o objetivo de descobrir como esse “fogo eterno” se originou. À BBC, ele disse que uma das coisas mais impressionantes e frustrantes sobre esta cratera é que realmente não há muita informação sobre ela.

Kourouni também conta que não há nenhum documento que comprove a teoria que remonta 1971. Apesar disso, Jeronim Perović, professor de História da Europa Oriental na Universidade de Zurique, na Suíça, contou à reportagem que o mistério por trás do “Portão do Inferno” faz sentido. 

Ele aponta que as teorias são reflexos de como as coisas funcionavam nos tempos soviéticos. O historiador relata que, naquela época, apenas o sucesso dos experimentos eram ditos, os fracassos não. Logo, “se a população local fizesse algo errado, ninguém queria que essa informação vazasse”, explicou à BBC.

Foto: John Pavelka / Flickr

O fato é que o local, com 69 metros de largura e 30 metros de profundidade, emana o gás natural. E esse metano permite à cratera queimar por décadas à fio.

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Foto: Wikimedia commons

São 50 anos e as chamas seguem ali. Inicialmente, o governo até pensou em fechá-la, já que a atração é fruto de um desastre ambiental. O lance é que o país entrou na rota de turistas aventureiros, ansiosos para conhecer o cenário. Não se sabe, porém, por quanto tempo mais as chamas vão queimar. Não é possível saber se a cratera poderá existir por mais cem anos ou se irá apagar nos próximos dias. Por enquanto, são cinco décadas — e contando.