O OnePlus T5 foi lançado com uma escolha de cinco opções de calibração de cor; o Google tem sido incentivado a adicionar um modo de cor extra para o Pixel 2XL; enquanto o DisplayMate diz que o iPhone X gera cores melhor do que qualquer outro celular. Então, por que as cores que um smartphone exibe de repente são uma questão? Aqui está o que você precisa saber se você está configurando o seu próprio celular ou pensando em comprar um novo.

Parte da razão pela qual estamos todos falando sobre o gerenciamento de cores mais do que nunca é por causa da mudança gradual das telas LCD (Liquid-Crystal Display) em smartphones para OLED (Organic Light-Emitting Diode): ambas já existem há algum tempo, mas a OLED está se tornando mais dominante, com a Apple e a LG fazendo a mudança neste ano.

Não vou entrar nos prós e contras de LCD vs OLED aqui, mas, em termos de gerenciamento de cores, você precisa saber que a OLED normalmente oferece uma gama (ou intervalo) mais ampla de cores, o que, por sua vez, geralmente significa cores mais saturadas nos extremos da paleta de cores.

Isso levou a um conflito entre a necessidade das cores brilhantes e vivas que a maioria de nós prefere em nossos smartphones e a necessidade de cores que realmente representem o que há no mundo real. A maioria de nós gosta de uma tela que salta aos olhos, mas as cores naturais são geralmente preferíveis se você estiver usando o celular para ver fotos ou fazer compras online de uma blusa de um determinado tom.

É por isso que mais e mais celulares estão introduzindo vários modos de cor, semelhante aos modos que você vê nas televisões. Mas antes que você possa entender qual modo é melhor para qualquer cenário, precisa entender as gamas de cores e os relacionados (mas tecnicamente bem diferentes) espaços de cores.

Espaços de cores e gamas de cores

Três dos espaços de cores mais comuns encontrados em aparelhos celulares e TVs hoje em dia.

A cor em celulares, monitores e outros dispositivos é controlada por dois conceitos intimamente relacionados, espaço cor e gama de cores. Na verdade, eles estão tão intimamente relacionados que são, muitas vezes, descritos como sendo a mesma coisa.

Mas eles não são!

Um espaço de cores é uma forma específica de organização de cores. Você sem dúvida já ouviu falar de alguns antes, como sRGB, Adobe RGB, rec. 709 e ICD-P3. Espaços de cor podem ser matematicamente desenvolvidos (como os mencionados anteriormente) ou podem ser mais arbitrários, como o espaço de cores Pantone. Cada espaço de cores tem uma gama de cores, o alcance real das cores dentro do espaço, e é por isso que eles são tão estreitamente ligados.

Assim, da mesma forma que uma caixa de lápis de cor reduz todas as cores do universo a uma certa seleção, um espaço de cor e sua gama de cores fazem o mesmo para imagens e monitores (e em muitas outras áreas também). Uma gama mais ampla significa cores mais saturadas, uma vez que inclui alguns dos tons de cores mais extremos em sua caixa.

No entanto, só porque uma tela afirma que pode fazer um espaço de cor específico não significa que ela possa produzir sua gama de cores completa. Um monitor LCD e um monitor OLED podem ambos serem capazes de usar o DCI-P3, mas o OLED, por poder produzir mais cores, tem mais lápis de cor à sua disposição e pode, dessa forma, reproduzir as cores do espaço de cor com maior precisão.

No passado, a maioria das telas de celular vinha com apenas um espaço de cor definido e fixo de fábrica e uma gama de cores, mas um número crescente de modelos agora está acrescentando modos extras, especialmente com a tendência para as telas OLED. Aplicativos e sistemas operacionais móveis estão se tornando mais conscientes dos espaços de cor também.

Cor no seu celular

Imagem: OnePlus

Então, como isso afeta o seu celular? Vários fatores controlam os aspecto do vermelho, azul e verde no seu aparelho, desde a configuração de brilho e a cor da luz do dia até o espaço de cor (e gama de cores) definido no seu celular.

O Galaxy Note 8 é um exemplo de um aparelho com gerenciamento de múltiplas opções de cores – Adaptive Display, AMOLED Cinema, AMOLED Foto e Basic – que podem ser definidas pelo usuário. Se o seu smartphone tem opções como essas, você deve encontrá-las em algum lugar dentro das configurações de exibição; se não, elas provavelmente não estão disponíveis para você.

Cada uma dessas opções muda a gama de espaço de cores e a cor usados pela tela. No caso do Note 8, o Basic combina com o bom e velho espaço de cores sRGB, originalmente desenvolvido pela Microsoft e HP e atualmente usado para criar a maioria do conteúdo de consumidor. A AMOLED Cinema, entretanto, combina mais com o espaço de cores DCI-P3, que agora está sendo usado para conteúdo 4K e que tem uma gama de cores 26% maior (isto é, alcançe de cores) do que o sRGB.

Outros celulares estão seguindo a tendência – o OnePlus T5 permite que você escolha entre cinco modos, incluindo sRGB e DCI-P3, enquanto o iPhone X suporta sRGB e DCI-P3 também. Com a Apple sendo a Apple, a mudança é feita automaticamente no iOS, com base nas necessidades do aplicativo e no iPhone ou iPad que você está usando.

O Android Oreo é a primeira versão do Android que suporta espaços de cor além do sRGB, mas apenas para aplicativos que solicitem especificamente. Essa é uma das razões pelas quais você pode ter pensado que a tela do seu Pixel 2 parecia um pouco morta quando você o pegou pela primeira vez. Ele pode ser capaz de suportar o espaço de cor maior DCI-P3, mas continua com o mais comum, embora menos vibrante, sRGB.

O Google está lançando uma atualização para permitir que os usuários forcem a gama de cores DCI-P3 mais ampla, para todos os aplicativos, mas adverte que isso pode criar cores menos precisas. Em outras palavras, algumas cores podem ser esticadas para um espaço de cor para o qual não foram configuradas (fique atento quando for comprar uma blusa usando o seu celular). Enquanto isso, há o Oreo Colorizer – ele força o seu dispositivo Android 8.0 a usar um espaço de cor com uma maior gama de cores e, assim, cores mais saturadas em geral.

Controlando a cor de exibição

Imagem: Sam Rutherford / Gizmodo

Há mais um fator a considerar: a calibragem de cores. Esta é a forma como o celular e sua exibição foram projetados para mostrar a cor, o que envolve vários fatores diferentes, dos quais apenas uma é a configuração de espaço de cores que acabamos de explicar.

Uma resenha bem completa, em profundidade, de um smartphone traz referências à sua precisão de cor, muitas vezes ao lado do espaço de cor e gama de cores suportadas – seria basicamente dizer se o fabricante acertou ao tentar representar com precisão as cores em seu espaço de cor escolhido.

Então, quando uma cor branca parece diferente de um celular para o outro, não é só o espaço de cor que você tem para culpar: é também a forma como a tela foi feita e as escolhas feitas por seu fabricante. O DisplayMate gosta de ir com tudo nas medições de precisão de cor, e, se você estiver interessado, tem alguns dos testes mais detalhados imagináveis.

Os fabricantes têm introduzido todos os tipos de ajustes proprietários para melhorar a precisão de cor, embora uma grande parte do tempo você não vá ouvir sobre eles ou vê-los em uma lista de especificações (é muito mais fácil você perceber quando algo der errado).

Como os especialistas da DisplayMate salientam, o problema é realmente se os fabricantes de celulares conseguem criar telas em que gamas de cores podem ser gerenciadas para sempre mostrar cores realistas, não importando o que esteja na tela, como o iPhone X faz. Se ele precisa mostrar alguma coisa no sRGB ou cor DCI-P3, como definido pelo conteúdo ou pelo aplicativo, então será calibrado para ser capaz de reproduzi-lo com precisão.

Dito isso, como o longo debate sobre a cor de um vestido alguns anos atrás revelou, cor é também algo de escolha pessoal: a maioria de nós apenas se acostuma com a tela que estamos olhando ao longo do tempo, sendo ela precisa ou não. Espaços de cor, gamas e calibração são especificações extras em que vale a pena dar uma olhada antes de comprar seu próximo smartphone – você vai passar muito tempo olhando para a tela.

Imagem do topo: Apple