Ciência

Correntes marítimas do Atlântico vão colapsar em breve, diz estudo

Pesquisa revela que o derretimento de geleiras do Ártico e da Groenlândia está acelerando a quebra de correntes marítimas do Atlântico
Imagem: Ivan Bandura/ Unsplash/ Reprodução

Um estudo recente publicado na revista Science Advances mostrou que o colapso da AMOC (Circulação Meridional do Atlântico) pode estar mais próximo do que o esperado.

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Até então, cientistas estimavam que esse conjunto de correntes marítimas em específico havia enfraquecido cerca de 15% desde os anos 1950. Contudo, utilizando modelos climáticos de supercomputadores, os pesquisadores simularam o efeito que o derretimento de geleiras têm sobre o sistema e notaram que essa consequência das mudanças climáticas causam um impacto grande nas correntes marítimas.

Isso porque a injeção de uma grande quantidade de água doce e fria nos oceanos dilui a salinidade do mar e enfraquece as correntes. Embora não dê prazos para a quebra do sistema, os cientistas alertam para a velocidade com que o processo ocorre. Frente ao colapso, as consequências climáticas devem ser sentidas em diversas regiões do planeta.

Em geral, as correntes marítimas movimentam os oceanos, influenciando aspectos como a temperatura e os nutrientes das águas em cada parte do planeta. A Circulação Meridional do Atlântico é composta por diversas correntes, entre elas a do Golfo, que percorre da costa da América do Norte à Europa.

A AMOC, em específico, carrega água quente diretamente dos trópicos para o Atlântico Norte. Uma vez lá, essa água se resfria e fica mais salgada, afundando no oceano. Depois, a corrente se espalha para o sul global. Esse mecanismo contribui para as condições climáticas em diversos locais no planeta. Por exemplo, os países do extremo oeste da Europa têm temperatura influenciada pela Corrente do Golfo.

Contudo, as mudanças climáticas e o degelo das calotas polares do Ártico e da Groenlândia estão desequilibrando o sistema ao despejar um grande volume de água doce e fria no oceano.

Possíveis consequências

De acordo com a análise feita no estudo, o colapso da AMOC contribuiria para o aumento de até um metro do nível do mar. Isso, por sua vez, levaria à inundação de diversas cidades costeiras. 

Além disso, a Amazônia sofreria uma intensa mudança no regime de chuvas e secas, intensificando o processo que já acontece no bioma.

Por fim, o colapso da AMOC também levaria ao aumento brusco de temperatura nos países do Hemisfério Sul. Enquanto isso, as nações da Europa veriam o termômetro cair drasticamente.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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