Pesquisadores monitorando os céus tiveram uma grande surpresa recentemente: eles avistaram uma galáxia orbitando a nossa Via Láctea onde nada havia sido visto antes. Como a recém-descoberta Crater 2 conseguiu esta proeza? Na verdade, ela estava lá o tempo todo – os humanos é que não conseguiam vê-la.

Não podemos culpar o tamanho dela por sua relativa obscuridade. A Crater 2 é uma galáxia-anã, mas ainda assim é grande: na verdade, é a quarta maior galáxia orbitando a nossa.

Também não podemos culpar a sua distância: a Crater 2 orbita em torno da Via Láctea a 380.000 anos-luz de distância, colocando-a bem na nossa vizinhança cósmica.

Então como é que não sabíamos que ela estava lá? Um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, tem uma resposta para nós.

Acontece que, apesar de ser grande e estar próxima, a Crater 2 é uma galáxia muito escura – na verdade, uma das mais escuras já observadas no universo. Pior: ela tem alguns vizinhos muito mais brilhantes, escondendo ainda mais a galáxia – que os pesquisadores apelidaram de “o gigante frágil”.

A ilustração abaixo mostra como seria a Crater 2 se fosse mil vezes mais brilhante do que realmente é, com a Lua como escala:

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Crédito: V. Belokurov, S. Koposov & G. Torrealba, IoA Cambridge, VST ATLAS, Simon C. Smith

A Crater 2 tem um diâmetro de cerca de 7.000 anos-luz: se pudéssemos vê-la no céu à noite, ela pareceria ter o dobro do tamanho da lua cheia – e também seria muito mais difusa, porque suas estrelas estão distantes entre si.

A galáxia foi descoberta quando astrônomos usaram um algoritmo para estudar imagens capturadas pelo VLT (Very Large Telescope) no Chile, para identificar concentrações anormais de estrelas.

O número de galáxias orbitando a Via Láctea dobrou na última década. Até o momento, foram detectadas 49 delas – incluindo nove galáxias-anãs cheias de matéria escura. E, agora que vimos a Crater 2, a descoberta levanta questões sobre o que mais está lá fora.

Os pesquisadores querem fazer uma busca por galáxias grandes escuras em torno de nós. É um bom lembrete de que ainda há muito sobre o espaço que ainda não foi descoberto.

[Estudo via New Scientist e Science Alert]

Imagem por ESO/Serge Brunier, Frederic Tapissier