Há alguns dias, a “quadrilha do drone” chamou a atenção no noticiário: eles usavam um quadcóptero para monitorar condomínios de luxo, e para identificar casas que seriam alvos. Esta é uma boa oportunidade para relembrar os principais casos no Brasil em que criminosos usaram drones para seus fins nefastos.

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O caso mais recente envolve uma quadrilha acusada de pelo menos nove arrastões, que agia na região metropolitana e interior de SP. Eles acumularam R$ 5 milhões em três meses de assaltos, mas praticavam crimes há pelo menos dois anos.

Cinco suspeitos foram presos na quarta-feira (2), e a polícia apreendeu joias, dinheiro, armas e um drone. O delegado Alexandre Batalha explica ao G1 como a quadrilha usava esse gadget:

Eles faziam o levantamento, utilizando os drones nas casas que eram consideradas de alto padrão, a avaliação dos veículos que estavam nas garagens e mesmo aqueles que contam com fortes aparatos de segurança. Eles adotavam estratégias e conseguiam adentrar nos condomínios.

Um caso semelhante – drones de criminosos sendo usados para espionagem – aconteceu no Ceará em agosto do ano passado. Uma quadrilha monitorava funcionários de banco em Fortaleza, usando o quadcóptero para gravar imagens das casas e carros deles. Então, os bandidos usavam isso para chantagear gerentes e obrigá-los a abrir os cofres.

O delegado Raphael Vilarinho explicou na época ao Jornal Nacional: “filmavam e tiravam fotos de familiares indo pro colégio levar criança, filmavam a rotina do banco, a hora que chegavam e que saíam”. Entre os quatro suspeitos presos, um era gerente do banco.

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A polícia apreendeu um drone, um fuzil AK-47 e uma pistola calibre 40 que pertenciam à quadrilha do Ceará

Drones de entrega

O uso de drones por criminosos começou a ganhar manchetes no Brasil em março de 2014, quando um quadcóptero despejou um pacote com 250 gramas de cocaína numa prisão em São José dos Campos (SP). O drone saiu voando, ileso, mas a droga foi apreendida por agentes penitenciários.

No mês seguinte, aconteceu de novo: um drone lançou um pacote no pátio do mesmo presídio. Os agentes penitenciários atiraram contra o quadcóptero, mas não conseguiram derrubá-lo. Pior: os detentos pegaram o pacote. A Secretaria de Administração Penitenciária fez uma operação pente-fino e apreendeu dois celulares, duas baterias, três chips, 64 g de maconha e dois comprimidos de ecstasy.

Em agosto de 2014, um repórter da Record flagrou bandidos tentando, com a ajuda de um drone, levar onze celulares e baterias para a penitenciária de Guarulhos (SP). Policiais à paisana observaram a movimentação de dois suspeitos, que foram detidos por pilotar o drone. Um deles disse que ganharia mil reais pelo serviço.

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Em maio de 2015, a polícia apreendeu um drone que seria usado para levar drogas à Cadeia Pública de Cáceres (MT), cidade que faz fronteira com a Bolívia. O Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron) recebeu denúncias de que traficantes estavam usando quadcópteros à noite para levar drogas e armas aos detentos. O veículo era silencioso e estava com fita isolante sobre as luzes LED.

E, em setembro de 2015, a Polícia Militar apreendeu um DJI Phantom 3 que sobrevoava o presídio de Eunápolis (BA). O drone estava com 350 chips de celular, nove celulares, quatro carregadores, quatro cartões de memória com adaptador, e dois pendrives.

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Não é só no Brasil que drones são usados para fazer entregas em presídios. No ano passado, dois homens tentaram levar pistolas, maconha sintética e DVDs de pornografia (!) para uma penitenciária em Maryland (EUA). E um drone com quase 3 kg de metanfetamina foi capturado na fronteira do México com os EUA.

O Reino Unido registrou nove casos de drones infiltrando prisões nos primeiros cinco meses de 2015. Enquanto isso, a polícia holandesa vem até mesmo usando águias para caçar esses veículos.

Combatendo crimes

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Mas os drones também podem ser usados pela polícia para combater crimes. Em 2013, a Polícia Militar em Macaé (RJ) passou a usar um (foto acima) para planejar operações contra o tráfico de drogas na cidade.

Em 2014, a Polícia Federal disse que um drone foi primordial para a captura de um traficante que atuava no Complexo da Maré, Rio de Janeiro. “A investigação para prender o Menor P durou cerca de um ano. Nesse período utilizamos o VANT que acabou sendo importante nesta operação”, disse Roberto Cordeiro, Superintendente Regional da PF na época.

E, a partir deste ano, Teresina (PI) promete oferecer drones à Polícia Militar para ajudar no combate ao crime, monitorando as ruas do alto para perseguir bandidos.

À medida que os drones ganham popularidade, surgem maneiras ilícitas de usá-los. Isso é comum em todo tipo de tecnologia, então resta ver como a polícia irá reagir.

Fotos: Divulgação / Polícia Militar; Divulgação / Polícia Civil; Assessoria / Gefron-MT; @MDPublicSafety / Twitter; Shana Reis / Governo do Estado do Rio de Janeiro