Lembra-se do Nokia N9? Talvez não, já que foi um smartphone que praticamente nasceu morto e acabou não sendo usado por muita gente. Mas mesmo este dispositivo com três anos de idade ainda consegue ser uma peça de hardware bastante sofisticada. E ao usar o N9 e luz, físicos encontraram uma forma de gerar os algoritmos de números aleatórios usados para criptografar dados.

Algoritmos de criptografia modernos contam com entradas de números aleatórios – se os números não forem verdadeiramente aleatórios, é mais fácil quebrar a criptografia. E computadores, que são incrivelmente bons em seguir ordens, não são muito bons em serem aleatórios.

Uma maneira de conseguir números aleatórios é se aproveitar de variações no mundo das mecânica quântica, o que normalmente exige equipamentos enormes de laboratório. A luz tem uma aleatoriedade inerente. “De acordo com a mecânica quântica,” escreve William Herkewitz no Popular Mechanics, “é impossível prever exatamente quanto um átomo vai emitir uma partícula de luz. E em um espaço grande de tempo, o número exato de partículas de luz que qualquer fonte de luz vai produzir também é inerentemente aleatório.”

O Nokia N9, com sua câmera de 8 megapixels, é sensível o bastante para detectar essa variação quântica. Cada pixel da câmera detecta um número ligeiramente diferente de fótons, uma variação que é traduzida em um fluxo de números aleatórios. A prova de conceito sugere que o equipamento para a geração aleatória quântica pode ser radicalmente encolhido.

“Se todo mundo na Terra usar tal dispositivo constantemente a 1Gbps,” escrevem os autores no artigo científico, “demoraria 1060  vezes a idade do universo para alguém notar um desvio em uma cadeia de bits perfeitamente aleatória.”

Um físico não envolvido no estudo disse à Popular Mechanics que não há como verificar se a aleatoriedade vem do comportamento quântico em vez de outras propriedades físicas. Mas parece ser uma forma viável de gerar números aleatórios (ou algo muito próximo a isso) usando uma tecnologia até meio banal. [Popular Mechanics, ArXiv]