O premiado jornalista Kurt Eichenwald fez um perfil da Microsoft para a conhecida revista Vanity Fair, declarando os anos 2000 como uma “década perdida” para a empresa de Redmond. O que a Microsoft fez de errado – e onde ela acertou?

Na reportagem, Eichenwald explica um dos grandes problemas na cultura da Microsoft: o “stack ranking”, um sistema de avaliação interna que acabava com a inovação.

“Todo funcionário ou ex-funcionário da Microsoft que eu entrevistei – todos – citaram o stack ranking como o processo mais destrutivo dentro da Microsoft, algo que afastou um número enorme de funcionários”, escreve Eichenwald. “Se você estivesse em uma equipe de 10 pessoas, você entrava no primeiro dia sabendo que, não importando se todos fossem bons, 2 pessoas receberiam uma avaliação ótima, 7 teriam notas medíocres, e 1 teria uma nota terrível”, diz um ex-desenvolvedor de software. “Isto leva aos funcionários focarem em competir entre si, em vez de competir contra outras empresas.”

Outro entrave para a inovação era associar tudo ao Windows e ao Office: por exemplo, em 1998 Bill Gates disse não a um leitor de e-book porque “não parecia com o Windows”. O projeto foi levado para a divisão Office, e perdeu qualquer liberdade criativa pela exigência imediata de resultados. Já vimos antes como a burocracia e brigas internas matam a inovação na Microsoft.

A Vanity Fair revela apenas parte da reportagem completa que será publicada em 10 de julho. Mas ZDNet e Geekwire tiveram acesso ao texto completo, com cerca de dez páginas, e dizem o que acharam. Mary Jo Foley diz que já vimos essa história ser contada antes:

A versão resumida: os funcionários da Microsoft odeiam o sistema de stack ranking da Microsoft para gerenciar desempenho, que já foi ajustado e reajustado (levemente) por mais de cinco anos. (E quem pode culpá-los?) Alguns funcionários saíram por causa disso. Outros saíram porque perderam batalhas internas importantes que acontecem em empresas de todos os tamanhos.

O Geekwire, por sua vez, diz que o relato é bastante preciso, mas não é justo. Afinal, nessa década também aconteceram coisas boas para a Microsoft:

Eichenwald fala com vários ex-executivos e documenta os problemas da Microsoft durante a década passada, incluindo: os esforços malsucedidos em concorrer contra os dispositivos da Apple, a teimosia insistente em produtos que giram em torno do Windows, suas perdas enormes em negócios online, as repercussões negativas do sistema de stack ranking para avaliar funcionários, e muito mais…

No entanto, a reportagem não é uma avaliação completa da empresa. Parece mais uma caricatura, destacando as piores qualidades da Microsoft e deixando de lado as coisas que deram certo na última década.

O sucesso do Xbox, por exemplo, é citado apenas marginalmente. O Kinect e o SharePoint são outros exemplos que ficaram de fora. Sim, a Microsoft esteve perdida nos anos 2000: Windows Vista, Windows Mobile, tablet PCs, Kin e Zune são alguns exemplos dos fracassos. Mas é importante lembrar que ela ainda era – e continua a ser – uma empresa gigantesca com produtos relevantes.

E com o Surface, Windows 8 e Windows Phone 8, a Microsoft parece bem preparada para esta década. E quem estará no comando? Steve Ballmer. Na verdade, Eichenwald tem boas palavras a dizer sobre o CEO da Microsoft: ele “pode ser inestimável para o futuro da empresa”. Parece que Ballmer é mesmo um homem incompreendido: cercado de críticos, porém capaz de guiar a Microsoft para o futuro.

Voltaremos à reportagem da Vanity Fair quando for disponibilizado o texto completo, em 10 de julho. [Vanity Fair, ZDNet, Geekwire via Seattle Times]