Tem sido um ano quente no Ártico, com o gelo do mar derretendo antes e mais rápido do que já tínhamos visto. Novos dados mostram que o mês de maio teve o menor nível de extensão glacial já registrado, por uma margem considerável. Isso significa que é muito provável que em pleno verão no Hemisfério Norte, o mar Ártico esteja no menor nível da história.

O Climate Central informa que dados do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo, instituição dos Estados Unidos que monitora a extensão glacial, mostram que o oceano está coberto com pelo menos 15% de gelo do mar. A questão não se restringe apenas à extensão glacial, que está bem menor do que deveria estar, mas também por ser a quarta pior redução de nível na história.

O mês de maio registrou 12 milhões de quilômetros quadrados de cobertura de gelo do mar. O número é 580 mil quilômetros quadrados menor que o recorde anterior, estabelecido em 2004.

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Gráfico mostra redução da extensão de gelo do Ártico. Crédito:  Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo.

Se o gráfico acima não é assustador o suficiente para você, é fácil ver como as coisas estão feias a partir dessa imagem feita pela NASA do mar de Beaufort, próximo ao Pólo Norte.

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Imagem de 21 de maio de 2016 mostra o gelo do mar Ártico no mar de Beaufort tirada pelo MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer), da NASA. Crédito: LANCE (Land Atmosphere Near-Real Time Capability for EOS, NASA/GSFC

Não só é possível notar que há muito mais águas “descobertas” do que deveria para esta época do ano, mas também uma outra tendência que tem preocupado os pesquisadores. Este gelo branco opaco é o que eles chamam de gelo de muitos anos, que é uma geleira feita de gelo do mar que não derrete durante o verão e ajuda a manter a temperatura do oceano local baixa. O problema é que esses gelos antigos estão quebrando e derretendo, o que significa que o gelo da próxima estação será o que eles chamam de “gelo de primeiro ano”, que derreterá tão rápido que não ajudará a manter a temperatura do oceano baixa.

O El Niño pode ter aumentado essas tendências loucas de temperatura com uma onda de calor que levou temperaturas mais altas ao Pólo Norte, mas a evidência agora é óbvia: a região está com taxas de aumento de temperatura duas vezes superior a do resto do planeta — que já está vivendo seus anos mais quentes. O Ártico está claramente com um gelo muito fino.

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Pesquisadores usam uma broca para perfurar o gelo em Barrow, no Alasca. Após fazer um buraco, eles usam uma fita para medir a espessura do gelo. Imagem: W.Meier, NASA

[NSIDC via Climate Central]

Imagem do topo: O pesquisador Walt Meier registra gelo derretido no mar de Barrow, no Alasca. Crédito: W. Meier, NASA.