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Descoberta inovadora pode ajudar a prever a próxima pandemia de influenza

Todos os anos, passamos pela mesma coisa: os cientistas descobrem quais as cepas de gripe mais comuns e prepararam uma vacina que faz você se proteger melhor se delas. Aqueles que se vacinam evitam as novas cepas, quem não toma pode ficar doente. Mas de vez em quando, um novo tipo de gripe aparece que […]

Todos os anos, passamos pela mesma coisa: os cientistas descobrem quais as cepas de gripe mais comuns e prepararam uma vacina que faz você se proteger melhor se delas. Aqueles que se vacinam evitam as novas cepas, quem não toma pode ficar doente. Mas de vez em quando, um novo tipo de gripe aparece que os médicos não têm uma vacina contra. Esse tipo de gripe pode se transformar em uma pandemia.

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Prever como será a cepa da gripe pandêmica requer uma compreensão profunda do vírus da gripe. Esse entendimento vai além de como o vírus se transmite e até mesmo da composição genética do próprio vírus. Uma colaboração entre as pesquisadoras Nara Lee e Seema Lakdawala, dos laboratórios da Universidade de Pittsburgh,deu uma olhada no formato desse genoma viral e encontrou um arranjamento inesperado de material genético que pfazer com que alguns livros sobre o assunto precisem ser reescritos, além de ajudar a prever a próxima estirpe pandêmica.

O virus influenza A, no nosso entendimento anterior, tinha uma estrutura bastante simples: oito vertentes de material genético (chamado RNA, que se parece com a metade de uma cadeia de DNA, mas é um pouco diferente) embrulhadas confortavelmente e uniformemente em torno de proteínas. “Em qualquer livro didático, a arquitetura será uma bela estrutura onde o RNA está enrolado ao redor de miçangas”, disse a autora do estudo, Seema Lakdawala, ao Gizmodo. “Nós descobrimos que não são apenas miçangas em um fio.”

Imagem: Lee et al, Nucleic Acids Research (2017)

O time usou um método de mapeamento, em que as ligações do RNA com as proteínas, chamadas HITS-CLIP, suplantava a imagem dos livros didáticos. Eles descobriram que os vírus podem ter laços de RNA pendurados como fios de lã desfiados de uma malha.

Imagem: Lee et al, Nucleic Acids Research (2017)

Tudo isso pode parecer muito esotérico, mas pode ter algumas implicações importantes para estudar o vírus da gripe. Mesmo os tipos similares da gripe podem ter diferentes arranjos desses laços livres, de acordo com o artigo publicado recentemente no periódico Nucleic Acids Research. Estudar esses laços pode ajudar os cientistas a entender como o RNA se organiza e como os vírus resistem aos ataques imunológicos de seus hospedeiros. Isso pode até ajudar os cientistas a modelar como a gripe se recombina e mistura o material genético, criando estirpes inesperadas que podem causar pandemias.

Há um exemplo moderno que deve tornar isso tudo mais claro: a pandemia de gripe suína de 2009. Lakdawala começou a estudar a gripe para o National Institutes of Health em 2009, quando pensavam que a próxima pandemia de gripe viria de um pássaro, não um porco. Ela disse ao Gizmodo que é possível que uma estirpe de vírus da gripe de um porco europeu tenha se misturado com outra cepa de um porco americano e o material genético tenha se recombinado com base nas estruturas de bolas, cordas e laços dos vírus da gripe, criando a pandemia de gripe suína . “Esse vírus foi então capaz de se transmitir para uma pessoa, e depois de pessoa a pessoa”, ela disse.

As pessoas agora olham para os porcos e pássaros para ver de onde a próxima estirpe pode vir. “Talvez agora estejamos fazendo um melhor trabalho com vigilância dos porcos”, disse ela. “Mas acho que podemos ser pegos de surpresa com um rearranjo”, uma mistura de material genético baseado nessa estrutura genômica viral.

Forma e função estão intimamente ligadas quando se trata de coisas como vírus, proteína e DNA. Uma simples mudança no entendimento dos cientistas da forma como o material genético é arranjado pode ter um impacto imenso em descobrir como ele funciona. No caso da gripe, esse entendimento pode possivelmente salvar vidas.

[Nucleic Acids Research]

Imagem do topo: Guilherme Tavares/Flickr

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