O lado B do single “Camouflage”, do artista britânico Chris Sievey, lançado em 1983, parece um turbilhão inaudível de barulho. Não é nenhum tipo de canção de vanguarda; é um programa para o computador ZX-81, e se você conseguir carregá-lo corretamente, verá um clipe animado em computador (de maneira bem rudimentar), codificado nas ranhuras de um disco de vinil.

778239658413547184

Esse pequeno detalhe é bem conhecido dos fãs da música punk do começo dos anos 80, mas o UsVsTh3m voltou a falar sobre isso e vale a pena relembrar a história. Chris Sievey, além de ser membro da banda The Freshies e a cabeça por trás de Frank Sidebottom, era também um entusiasta de computação, especialmente do ZX-81. A pequena máquina pesava 340 gramas e não tinha nenhuma parte móvel, nem tela (ele era conectado à TV), equipado com 1kB de memória interna e armazenava dados em fitas cassete a 250 Baud.

Isso significa que, hipoteticamente, você também poderia enviar dados da maneira oposta: o lado B do single de Sievey duplicava os sinais sonoros de três programas para o ZX-81 escritos por ele. Dois deles eram versões de um jogo chamado Flying Train, e o outro era o clipe musical visto abaixo:

Para fazer o pequeno truque funcionar, você precisaria em primeiro lugar comprar o disco, gravar o lado B em uma fita cassete, e então carregar os dados da fita no seu computador ZX-81. Imprecisões em algum desses passos prejudicam o resultado final.

O YouTuber soundhog09 conseguiu rodar o vídeo depois de encontrar uma cópia em boas condições do disco – e ele ainda deve que limpar as ranhuras do vinil com cola de acetato de polivinila, além de limpar digitalmente o som resultante antes de transferir para uma fita cassete. E aí ele rodou a fita em um emulador do ZX-81. A descrição feita por Soundog09 no YouTube explica como foi todo o processo:

Poucas pessoas fizeram experiências com dados de computador em vinil, ou mesmo em flexidiscs, no início dos anos 1980. A taxa de sucesso para carregar esses arquivos era mínima, e muitos artigos de revistas da época lamentam o fato. Um arranhão, uma marca ou até mesmo um trabalho de corte ou masterização ruim inviabilizaria tudo.

Três décadas depois, o produto final é um pouco simplista, mas não totalmente obsoleto. É um estilo gráfico que artistas e músicos acham fascinante hoje em dia, e a experiência de Sievey prenunciou a chegada dos Enhanced CDs que ofereciam diversos extras quando colocados no drive de CD-ROM de um computador.

E agora, enfim, temos a tecnologia necessária para apreciar um programa de computador codificado em um disco de vinil em 1983. [UsVsTh3m]