Muita gente veio a público falar mal do Google+. Um ou dois ou três ou quatro neste mesmo site. Eles têm bons argumentos, mas estão errados. O Google+ é incrível, e aqui estão algumas provas.

Crescimento e apetite

Atualmente eu tenho 569 seguidores no Twitter, enquanto 640 pessoas me têm nos seus círculos do Google+. Pode parecer uma diferença pequena, mas considere que a minha conta no Twitter é alguns anos mais velha e aparece um site com muitos milhares de visitantes diários. O Google+ está cheio de pessoas que ativamente correm atrás de conteúdo. Se você entrar no Google+ e o seu feed estiver abandonado, não tem como a culpa não ser sua. Você está seguindo as pessoas erradas. E as pessoas certas são até bem fáceis de achar. Procure pelos seus interesses, encontre pessoas que estão publicando coisas legais e adicione estas pessoas a algum círculo.

Um dos motivos para o Google+ ter decolado tão rápido é que ele é fácil, graças a algumas boas ideias de integração com os muitos serviços do Google que você provavelmente já usa. Por exemplo, quando eu tenho uma nova notificação do Google+, um pequeno “1” (ou 2, ou 3, dependendo de quantas notificações) se acende no canto superior direito da minha janela do Gmail. Eu clico e desce um painel, na mesma página, no qual eu posso ler e até responder a todas as notificações. É incrivelmente conveniente. O botão +1 também está cada vez mais integrado às buscas do Google, e aparecendo em cada vez mais sites que você usa. A visualização, edição e compartilhamento de fotos também é muito boa, graças à profunda integração com o Picasa.

Conversas de verdade

Ter que encolher os seus pensamentos em 140 caracteres é uma brincadeira divertida – algo que a sua professora de português do ensino médio poderia querer tentar para tornar a aula mais interessante –, mas eu tenho cada vez menos vontade de brincar disso. Às vezes eu simplesmente quero escrever o que eu penso do jeito que eu penso, à medida que me ocorre, sem ter que ficar cortando ideias para caber em um tweet, ou dividindo em mais de uma mensagem. A concisão pode ser importante em tiradinhas engraçadas, mas raramente é o coração de um bom diálogo. Tentar travar um debate no Twitter é um ato de futilidade; é enlouquecedor tentar entender quem disse o que ara quem, especialmente quando tantos tweets acabam se tornando um bangue-bangue de sarcasmo e cortes, já que não há espaço para muito mais do que isso.

O Google+ combina a lógica de “seguir” pessoas do Twitter com as conversas completas e fluídas entre amigos do Facebook, e isso realmente funciona bem na maior parte do tempo. No Google+ eu me sinto mais compelido a participar de conversas, e também vejo mais interação entre os usuários. Observei que as pessoas do Google+ têm duas ou três vezes mais probabilidade de comentar em alguma coisa compartilhada que as pessoas do Twitter. Isso é só uma observação pessoal, sim – e eu passeio pelo tipo de círculo social de pessoas relacionadas à tecnologia, que têm mais chances de adotar cedo e permanecer em um serviço como o G+. Mas o fato é que eu tenho visto muitos diálogos de verdade acontecendo – estou falando de pessoas falando e também ouvindo –, e uma frequência surpreendentemente baixa de guerras de ego.

Filtros usáveis

O Google+ introduziu o conceito de círculos, e isso foi bom. O Facebook foi lá e adicionou também a sua ferramenta de filtragem em grupos, chamada de Listas. Conclue-se que ambos são iguais nesse quesito, então? Não. Os filtros do Google+ levam vantagem pelo fato de que as pessoas realmente os usam. Virtualmente todas as pessoas que eu conheço no Google+ fizeram ao menos alguns círculos e realmente os usam. No Facebook, por outro lado, muito pouca gente usa as Listas. Talvez você use, mas elas chegaram tarde demais. No Facebook, o recurso é secundário. As pessoas já usam o Facebook sem isso, e não vai ser agora que vão começar a repassar e organizar as suas centenas de contatos em grupos. Como o Google+ já chegou com esse recurso desde o primeiro dia, quase todo mundo se habitou desde o início a essa filtragem. Até porque ela é bem fácil.

Estrelato

Consideremos o caso da Christina Trapolino. A Christina não é uma guru da tecnologia. Ela não é uma celebridade, nem uma sex-symbol. Mesmo assim, ela está sendo seguida por 19.888 pessoas no Google+. Hein como assim? Acontece que a Christina é ótima em gerar conversas. Ela tem ideias interessantes e faz perguntas boas. As pessoas começaram a seguir, discutir e repassar. Ela posta quase todos os dias, e os seus posts sempre geram longas discussões. Ela é uma pessoa normal, que agora tem uma grande audiência. E a história dela está longe de ser a única.

Um número de seguidores com 20K não parece muito em comparação com números que vemos no Twitter ou no Facebook, é importante lembrar que estamos no início. Grande nomes, como Mark Zuckerberg e Larry Page, têm ainda de 600.000 seguidores, mas como parte de um inteiro, não está nada mau.

A história da Christina nos traz a um ponto importante sobre a base e a expectativa dos usuários. Em certos aspectos, o Google+ é um meio-termo entre o Facebook e o Twitter, e as pessoas estão usando de acordo. Elas podem dar uma olhada no que acontece nos seus círculos de interesse, como no Twitter, mas também podem participar ativamente e profundamente, como no Facebook, se assim quiserem. E nada disso parece gambiarra do serviço. Parece um bom e saudável casamento, e as pessoas estão usando direitinho.

Bonito de ver e de ouvir

Compartilhar fotos, vídeo e links é exatamente 4.386 vezes melhor no Google+ do que no Twitter. Não sou eu que digo, é a ciência. Você não precisa clicar em links encurtados suspeitos, as fotos aparecem na própria postagem, a integração de vídeo é excelente (especialmente com o YouTube, claro) e os links para sites externos geram prévias bonitinhas. No que diz respeito a uploads instantâneos pelo celular, bem, dá para se dizer que o Google+ acerta na mesma medida que o iCloud errou. É super intuitivo, rápido e sem prejudicar a privacidade. O Facebook e o Twitter nem se comparam. Qualquer tipo de atividade que tenha a ver com fotos (subir, compartilhar, trabalhar com, visualizar) é uma experiência incrível no Google+.

E aí temos os Hangouts, o vídeo-chat embutido no Google+. Por mais que a gente goste de tirar barato dele aqui no escritório por ser meio desengonçado e pouco bonito, é geralmente para ele que a gente apela quando precisa fazer uma conferência rápida, e geralmente funciona muito bem. Quando eu estava preso em casa durante o furacão Irene, usei para assistir a vídeos do YouTube com amigos. E além desses casos mundanos, eu ofereço o exemplo abaixo, que mostra o Google usando o Hangouts para criar algo realmente maravilhoso. Observe este genuíno festival de alegria entre o Dalai Lama e o Reverendo Desmond Tutu.

http://www.youtube.com/watch?v=1_HqVFEzY2U

Veja bem, eu não estou dizendo que o Google+ substituiu o Facebook e o Twitter para mim. Isso não aconteceu, ainda. O Facebook, para mim, é reservado apenas para amigos mesmo. Meu perfil lá é reservado e é só para quem me conhece fora da internet. O Twitter serve para dar uma olhada rápida no consciente coletivo da internet, para auto-promoção descarada e para dar uma de espertinho com as minhas sacadinhas inspiradas. Dito isso, se o Google+ tivesse a mesma base de usuários que o Twitter, eu trocaria sem olhar para trás. O Google+ faz tudo que Twitter faz, melhor, e ainda algumas coisas que o Twitter nunca fará.

Então, sim, o Google+ é uma mistureba estranha de coisas, e nem ele mesmo parece ter certeza ainda do que quer ser. Ainda lhe faltam alguns recursos, os aplicativos móveis ainda precisam melhorar bastante, e o site em si precisa de mais cuidado. Eu não me importo com isso por enquanto. Nós sempre esperamos muito do Google, mas pense em quantos anos demorou para eles chegarem onde estão. O Google+ tem meses de idade, não anos. Ele já é bom, e só vai melhorar. Desconsiderar o Google+ assim tão cedo é extremamente prematuro. Não vamos chamar o negócio de deserto só porque tem um punhado de areia no chão, ok?