Uma equipe de biólogos brasileiros encontrou na Amazônia duas espécies inéditas de peixes: Poecilocharax callipterus e Poecilocharax rhizophilus. A dupla foi avistada na bacia do rio Madeira, próxima ao município de Apuí. 

Apesar de empolgante, a descoberta vem com uma notícia bastante desanimadora: os peixinhos, com cerca de um centímetro de comprimento, já correm risco de extinção. O estudo completo foi publicado no Zoological Journal of the Linnean Society.

Essa é a primeira vez em 57 anos que pesquisadores encontram membros da subfamília Crenuchinae. A equipe ficou cerca de duas semanas em campo buscando por novos animais. Eles usavam redes e armadilhas para capturá-los, conseguindo assim fotografá-los e catalogá-los para estudo posterior no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

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Mas o caminho foi deprimente. Murilo Pestana, autor do estudo e pós-doutorando pelo Museu Nacional de História Natural dos EUA, disse ao Jornal da USP que a região estava sofrendo muito com o impacto ambiental em 2016, época em que a descoberta foi feita.

“Esse fato só se agravou nos anos seguintes e, enquanto enviávamos nosso estudo para publicação, o boletim do desmatamento da Amazônia Legal de abril de 2021 classificou a região como o segundo município com maior perda de cobertura vegetal. Por conta disso, classificamos as duas espécies como em perigo de extinção, sendo que uma delas já indicamos como ‘criticamente ameaçada’, por existir em apenas um riacho da região”, explicou Pestana.

A espécie criticamente ameaçada é a P. callipterus. O peixe de barbatanas de cor laranja e mancha escura na cauda foi encontrado apenas em um riacho que ocupa 2,4 km² da região. A P. rhizophilus, de cor amarelo âmbar, também corre riscos devido a destruição do meio ambiente e o interesse de aquaristas.