DRM é um dos últimos assuntos que você espera ouvir num evento de software livre — afinal, o que aquele negócio que trava seus DVDs, jogos, livros e músicas tem a ver com código aberto e afins? Bem, Matthew Garrett, desenvolvedor de software e membro do conselho da Free Software Foundation, mostrou nesta sexta-feira no FISL uma nova abordagem sobre o assunto.

Antes de mais nada, DRM significa “Digital Rights Management”, isto é, “gestão de direitos digitais”. Mas quais direitos? “Hoje, o DRM está sendo usado para proteger os direitos de outras pessoas, nunca os seus. E geralmente são direitos autorais, constituídos pela lei, não direitos fundamentais”, diz Garrett, sobre as restrições impostas por estas ferramentas.

No entanto, apesar da aparente contradição, Garrett acha que o DRM pode ajudar os usuários dentro da filosofia do software livre. Ele argumenta que o mundo mudou nos últimos anos: hoje, vivemos num cenário em que o malware não é mais uma brincadeira ingênua e governos espionam seus cidadãos e outros governos. “Se software livre é instalar o que você quiser, você vai acabar afetado por malware. Software livre deve ser também o direito de não instalar o que você não quer”, explica o desenvolvedor.

Por isso, ele criou um jeito para checar que o sistema operacional não foi alterado por terceiros, baseado nos TPMs — Trusted Protocol Modules, processadores que “medem” as fases do processo de boot e certificam se não houve nenhuma alteração — e em senhas temporárias, como as de sistemas de autenticação em dois fatores.

Funciona assim: o código por ele criado gera um QR Code, que você lê usando um app como o Google Authenticator. Depois, na hora do boot, é só checar se a senha apresentada bate com a do aplicativo. Se sim, pode descriptografar seu disco tranquilamente; caso contrário, o TPM notou alguma alteração. Você pode ver o código feito por Garrett em seu GitHub.

O Gizmodo Brasil viajou a Porto Alegre a convite do FISL

(Imagem: Tárlis Schneider via Flickr)