Neste final de semana, o designer Darrell Whitelaw tuitou uma imagem de uma pasta bloqueada pelo Dropbox, contendo arquivos que (possivelmente) violam direitos autorais. Isso deixou muitas pessoas surpresas, mas o serviço vem fazendo isso há anos – e não é algo tão ruim quanto parece.

Antes de tudo, vale notar que o Dropbox não deleta nenhum arquivo seu, mesmo que seja pirateado – ele só impede que você o compartilhe com outras pessoas. (Darrell gerou um link para compartilhar o arquivo dele via chat.)



Isso acontece há pelo menos dois anos. Em 2012, vazou uma apresentação revelando detalhes sobre o Xbox One, e a Microsoft correu para impedir que ela se espalhasse ainda mais. Uma das medidas foi pedir ao Dropbox que bloqueasse o arquivo – e o serviço prontamente obedeceu. A apresentação não era deletada, mas era impossível compartilhá-la.

dropbox dmca

Para isso, o Dropbox usa uma técnica conhecida como “hashing de arquivo contra uma lista negra”. É uma forma de respeitar as leis, evitando confusão com governos, e ao mesmo tempo manter sua privacidade. A empresa explica em comunicado ao TechCrunch:

“Surgiram algumas dúvidas sobre como lidamos com queixas de direitos autorais. Nós às vezes recebemos notificações DMCA para remover links por violarem direitos autorais. Quando as recebemos, nós as processamos de acordo com a lei e desativamos o link identificado. Nós temos um sistema automatizado que, em seguida, impede que outros usuários compartilhem o material idêntico usando outro link do Dropbox. Isso é feito comparando hashes de arquivo. Nós não olhamos os arquivos em suas pastas privadas, e estamos empenhados em manter seus arquivos em segurança.”

O hash é basicamente o RG de um arquivo, um número identificador baseado em seu conteúdo binário. Com ele, o Dropbox não precisa ler seus arquivos: eles só analisam o hash. Na verdade, os arquivos são criptografados nos servidores deles, para ninguém conseguir lê-los.

Quando gravadoras ou produtores de conteúdo enviam queixas ao Dropbox, a fim de remover arquivos, elas chegam na forma de hashes. Depois, eles são inseridos em uma lista negra; caso um de seus arquivos tenha um mesmo hash da lista, ele não pode ser compartilhado.

Vale notar que, se você modificar o arquivo, ele ganha uma hash diferente. Por exemplo, aquela apresentação vazada da Microsoft não era bloqueada se você removesse um dos slides. Ao comprimir arquivos em formato .zip, o hash também muda – e o arquivo não é bloqueado.

É mais um lembrete de que, na nuvem, seus arquivos não são completamente seus – eles estão nas mãos de uma empresa, e se ela quiser guardá-los, precisa respeitar as leis. [TechCrunch]