A internet dá a opção para que você simplesmente não acesse o que não lhe agrada. No entanto, um grupo de funcionários do eBay quis ir muito além, a ponto de terem sido demitidos da companhia de e-commerce. No caso, eles empreenderam uma campanha de intimidação contra um casal que fazia uma newsletter que eles não gostavam.

A campanha contra os autores da newsletter envolvia supostamente atacar anonimamente o casal por meio de uma variedade de métodos cada vez mais desequilibrados. No fim, o próprio eBay acabou fornecendo ajuda para autoridades federais para identificar as ameaças feitas.

Além de ameaças de morte, o casal também recebeu itens destinados a intimidá-los, como uma “caixa de baratas vivas, uma coroa de funeral e uma máscara sangrenta de porco”, segundo o Departamento de Justiça dos EUA. Faziam parte ainda do “kit intimidação” enviar conteúdos pornográficos, um feto de porco preservado e um exemplar do livro que explicava como “sobreviver à perda de um cônjuge”.

Em um determinado momento, esses funcionários do eBay, agora demitidos, decidiram vigiar a frente da casa do casal, e dois deles supostamente “pretendiam entrar em um momento na garagem das vítimas e instalar um dispositivo de rastreamento de GPS no carro”.

Eles elaboraram e carregavam com eles documentos falsos para mostrar à polícia, no caso de serem abordados, alegando que o casal era alvo de uma investigação contra executivos do eBay, dizem os documentos da Justiça dos EUA.

De acordo com as alegações, os executivos do eBay estavam determinados a “derrubar” a newsletter e os seu autores, pois eles falavam de um processo movido pelo eBay contra a Amazon, alegando que houve extorsão.

O processo foi amplamente abordado em sites grandes e pequenos e, embora não haja pistas no comunicado do Departamento de Justiça sobre o motivo pelo qual esse casal virou alvo, os documentos citam que os executivos da empresa frequentemente (grifo nosso) “discordavam do conteúdo e dos comentários anônimos que aparecem logo abaixo da newsletter”.

Então, baseado nisso, parece que os funcionários do eBay se envolveram nesta campanha prolongada de assédio por causa de comentários de um site.

O grupo era composto por uma funcionária terceirizada, Veronica Zea, e outros funcionários com títulos elevados dentro do eBay, como:

  • James Baugh, diretor sênior de segurança;
  • David Harville, diretor global de resiliência;
  • Stephanie Popp, gerente sênior de inteligência global;
  • Stephanie Stockwell, gerente do centro de inteligência global do eBay;
  • Brian Gilbert, gerente sênior de operações especiais de segurança global do eBay.

De acordo com o site WBZ, de Boston, as acusações também incluem dois executivos em cargos mais altos que Baugh, embora, no momento, eles não tenham sido identificados. Antes de sua passagem pelo eBay, Gilbert, um dos envolvidos, era capitão da polícia. Entramos em contato com o seu antigo empregador, o SCPD (Departamento de Polícia do condado de Suffolk), para saber das circunstâncias de sua saída, mas não obtivemos resposta.

Depois que surgiram suspeitas sobre quem estava por trás desse esquema de ciberstalking, os ex-funcionários do eBay mentiram para a polícia e seus próprios advogados, destruíram evidências e conspiraram para criar novos suspeitos e, assim, enganar os policiais que trabalhavam no caso, de acordo com as alegações.

“O eBay foi notificado pela polícia em agosto de 2019 de ações suspeitas de seu pessoal de segurança contra uma blogueira que escreveu sobre a companhia e seu marido”, informou a empresa em um blog post. “Como resultado da investigação, o eBay demitiu todos os funcionários envolvidos, incluindo o ex-diretor de comunicações da empresa, em setembro de 2019”.

À época, o diretor de comunicação era Steve Wymer, embora atualmente não esteja claro se ele é um dos executivos que não foram identificados no processo. “O eBay mantém seus funcionários em altos padrões de conduta e ética e continuará a tomar as medidas necessárias para garantir que esses padrões sejam seguidos”, escreveu a empresa.

Investigações internas mostraram que o ex-CEO do eBay Devin Wenig, que, coincidentemente deixou o eBay em setembro de 2019, não estava envolvido na campanha de ciberstalking.

“Embora as comunicações de Wenig fossem inadequadas, não havia evidências de que ele soubesse sobre [isso] ou autorizasse as ações que mais tarde foram direcionadas para a blogueira e seu marido”, escreveu a empresa, citando “várias considerações que levaram à sua partida” do eBay. Da mesma forma, não está claro se Wenig continua sendo suspeito ou a pessoa acusada não identificada neste perturbador e complicado caso de vigilância corporativa.