Uma situação estranhíssima fez um voo da American Airlines atrasar mais de duas horas nos Estados Unidos. Não foi uma criança chorando ou um passageiro reclamão, mas a suspeita de que um dos passageiros planejava um ataque terrorista, quando, na verdade, ele estava fazendo anotações sobre matemática.

A história começou durante um embarque para um voo com destino a Syracuse, Nova York. Uma mulher sentou-se ao lado de um homem, cujo comportamento ela julgou misterioso e suspeito.

O rapaz de 40 anos em questão falava inglês com um sotaque esquisito e estava colocando uma série de símbolos matemáticos em um papel. Ela tentou conversar com ele, perguntando se  estava indo para casa, porém, o homem disse que não, e continuou sua atividade. A moça começou a ler um livro e depois chamou uma aeromoça, dizendo que estava passando mal.

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Imagem genérica de aeronave da companhia American Airlines. Crédito da imagem: Pixabay/Skeeze

Era apenas um pretexto, pois a mulher, cujo nome não foi divulgado, suspeitou que seu parceiro de poltrona estava planejando um ataque terrorista. O homem em questão é o premiado economista italiano Guido Menzio, 40, que dá aulas da Universidade da Pensilvânia. Em seu papel, estavam apenas anotações sobre uma equação diferencial que ia usar mais tarde durante uma aula. Diz o Washington Post sobre o assunto, para quem Menzio descreveu o ocorrido:

“O que ela [a passageira] viu em seu parceiro de poltrona foram notas codificadas, rabiscados em um script que ela não reconheceu. Talvez fosse um código, ou alguma inscrição em língua estrangeira, possivelmente detalhes de um enredo para destruição de dúzias de vidas inocentes a bordo do voo 3950 da American Airlines. Ela deve ter sentido que era seu dever alertar as autoridades apenas por uma questão de segurança. O homem de cabelo encaracolado, o agente o informou posteriormente de forma educada, era suspeito de ser terrorista.”

A passageira saiu do avião e, em seguida, Menzio foi levado para responder a algumas perguntas. Depois de esclarecer todo o mal-entendido, ele voltou à aeronave, mas agora sem a mulher que o denunciou. Sobre o incidente, o economista disse que mostra o “sistema falho que não coleta informações [de passageiros] de forma eficiente.”

Portanto, lição aprendida: em um mundo paranoico, um simples exercício de matemática pode torná-lo um terrorista.

[Gawker e Washignton Post]

Imagem do topo: Guido Menzio. Crédito: Universidade de Pensilvânia.