por Bruno Izidro

Em The Elder Scrolls Online (TESO) é preciso escolher entre três facções: Daggerfall Covenant, Aldmeri Dominion e Ebonheart Pact. Para cada uma das opções o jogo inicia em lugares diferentes do mundo de Tamriel. No meu caso foi em Morrowind (onde se passa The Elder Scrolls III) e bastaram poucos minutos dentro da cidade que serve de HUB de jogadores para eu decidir: “não quero interagir com ninguém aqui”.

MMOs nunca me atraíram. Talvez por eu não ser uma pessoa muito sociável, seja no mundo real ou virtual, e não querer sair por aí jogando com estranhos. Fora que a parte “multiplayer” da sigla nunca não parece combinar com as boas experiências solo que RPGs sempre proporcionam. Experiências, inclusive, que tive com Oblivion e Skyrim.

Então por que diabos eu estaria jogando The Elder Scrolls Online? Bom, primeiro porque recebemos um código da recém lançada versão Tamriel Unlimited, que faz a estreia do MMO para PS4 e Xbox One, e não custava nada testar. Outra é que Skirym saiu há quase quatro anos e um novo jogo da série, mesmo que online, poderia ser interessante.

Mas antes do meu relato, no vídeo abaixo eu mostro de uma maneira mais geral como é TESO em seus primeiro momentos.

Aventuras solitárias online

Alguns poderiam dizer que jogar um MMORPG sozinho é algo bem chato e, principalmente, triste de se fazer. Afinal, você não está usufruindo do jogo em todo o seu potencial. Participar das guildas, as missões com os amigos e a interação com outros jogadores é o que faz esses jogos serem atraentes… para alguns.

Pela perspectiva de alguém que gosta de The Elder Scrolls, mas pouco se interessa por MMOs, jogar TESO como se fosse um aventura solitária de RPG se provou mais eficaz do que eu pensava para aproveitar o jogo e me surpreendeu ao mostrar que toda essa camada online esconde um RPG que não fica devendo nada aos jogos principais da série.

The Elder Scrolls Online: Tamriel Unlimited_20150612042844

Verdade seja dita, nas primeiras horas de TESO: Tamriel Unlimited todos os jogadores são obrigados a encará-lo como uma experiência solo, já que as funções típicas dos MMOs, como participar de guildas próprias e partidas PvP, só são desbloqueadas após o personagem atingir o level 10. Até lá, as quests do jogo são realizadas como em qualquer RPG e foi nesse cenário que comecei a perceber as caraterísticas que me atraíram cada vez mais ao jogo.

Em uma missão devemos resolver um problema sobrenatural: fantasmas de soldados mortos começaram a aparecer e a atacar todos que chegam perto. Para contornar isso, o jogo coloca duas opções que podem até ser encaradas como escolhas morais: usar um objeto para escravizar todos os fantasmas e fazê-los ajudar o exército local em uma guerra ou exorcizá-los para que finalmente eles se libertem desse mundo.

Essa típica estrutura encontrada nos jogos principais da série incentiva a explorar mais o mundo de Tamriel, descobrir outras missões e se envolver em outros conflitos. É isso que acabou me fazendo entrar cada vez mais em TESO.

A história de The Elder Scrolls Online também teve um papel importante para deixar a experiência solo mais agradável. Sim, o MMO possui uma narrativa central e cheia de referências para quem conhece a mitologia da série. Ela acontece centenas de anos antes dos jogos off-line e mesmo sem dragonborn, tomamos o lugar de uma espécie de seres especiais que podem dar fim a uma invasão de criaturas do Oblivion (que visitamos bastante em The Elder Scrolls IV).

Mesmo que as missões principais possam ser completamente ignoradas, é sempre bom perceber que há uma espécie de progressão no jogo. O que fez dele mais do que só um palco para vários jogadores ficarem se aventurando a esmo.

Junto, mas separado

O poeta inglês do século 16 John Donne já dizia: “Nenhum homem é uma ilha isolada”. A necessidade de interagir e se comunicar com outros é intrínseca ao ser humano. Isso se mostrou mais uma vez verdadeiro em minha experiência com The Elder Scrolls Online. Mesmo ignorando em boa parte do tempo todos no mapa, eventualmente é possível ajudar ou ser ajudado por outros jogadores, principalmente se vocês estão realizando a mesma quest.

Isso acontece, por exemplo, em dungeons onde outros jogadores presentes podem eliminar os inimigos do local. Em muitos casos, esse tipo mínimo de interação, sem conversa ou chat, acabando sendo benéfico e não foram poucas as vezes em que um chefe mais forte acabou sendo logo derrotado porque outros dois ou três jogadores estavam próximo lutando junto comigo.

É então, nesses momentos, que o poder de multiplayer massivo online aparece. Não, eu ainda não quero interagir com aquelas pessoas e pretendo permanecer na tática do junto, mas separado.

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Ao conseguir logar pela primeira vez no MMO da Bethesda (que, por sinal, teve muitos problemas nos primeiros dias do lançamento para consoles), eu procurava um legítimo jogo da série The Elder Scrolls. Para minha surpresa, foi justamente isso que encontrei. Talvez encarar o jogo dessa forma foi o que me fez apreciar, à minha maneira e pela primeira vez, um MMO.

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The Elder Scrolls Online: Tamriel Unlimited está disponível para PS4, Xbox One e PC. Apesar da cópia do jogo ser paga (e com um preço bem salgado nos consoles, por sinal), não é necessário nenhuma assinatura mensal para usufruir dele. A versão de PS4 testada foi cedida pela Gaming do Brasil, que está distribuindo o jogo da Bethesda oficialmente no país.