Ao longo da história, 21 cidades sediaram as Olimpíadas de Inverno. As condições climáticas no Hemisfério Norte permitiam essa variedade, mas isso pode estar próximo de mudar. De acordo com uma pesquisa liderada pela Universidade de Waterloo, no Canadá, é possível que, em 2100, exista apenas uma cidade adequada para receber os atletas: Sapporo, no Japão. 

A culpa está nas mudanças climáticas, uma consequência do efeito estufa. Para ter uma ideia, entre 1920 e 1950, a temperatura média ao longo do dia em fevereiro nos lugares que recebiam os jogos era de -0,4 ºC. Durante as Olimpíadas de Pequim, agora em andamento, os termômetros têm atingido a média de 6,3 ºC.

A tendência é piorar. Estimativas sugerem que a temperatura global deverá aumentar entre 2 ºC e 4,4 ºC ainda neste século. De acordo com os pesquisadores, se as emissões de gases do efeito estufa não forem drasticamente reduzidas, apenas o Japão terá condições de sediar os jogos até o final do século. O estudo foi publicado na revista Current Issues in Tourism.

Há um minúsculo ponto de luz no fim do túnel. A meta do Acordo de País prevê uma redução em 50% das emissões de gases do efeito estufa até 2030. Caso o plano seja cumprido, oito cidades ainda poderão receber os Jogos Olímpicos até 2100.

Mas nem precisamos esperar o final do século. “A maioria dos locais sede na Europa são projetados para serem não confiáveis ​​já na década de 2050, mesmo em um futuro de baixa emissão”, explicou Robert Steiger, pesquisador da Universidade de Innsbruck, na Áustria, em comunicado.

Além de analisar dados climáticos obtidos ao longo das últimas décadas e projeções futuras, os pesquisadores também entrevistaram atletas e treinadores de diversos locais do globo. 

Ao final, 94% dos voluntários disseram temer os impactos da crise climática no futuro do esporte que praticam. Ao serem questionados se o clima já tem afetado as condições necessárias para realizar competições e treinos, 89% responderam que sim. 

“Nenhum esporte pode escapar dos impactos de um clima em mudança. Atingir as metas do Acordo de Paris é fundamental para salvar os esportes de neve como os conhecemos e garantir que haja lugares em todo o mundo para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno”, disse Daniel Scott, professor de Geografia e Gestão Ambiental da Universidade de Waterloo, em nota.