Dezenas de mulheres estão processando criadora do PornHub, MindGeek, por conscientemente lucrar com vídeos que retratam estupro, abuso sexual infantil, pornografia de vingança e outros atos sexuais não consensuais, de acordo com um processo conjunto aberto na quinta-feira.

A queixa civil foi apresentada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Central da Califórnia em nome de 34 vítimas de pornografia infantil, estupro e tráfico de pessoas. As mulheres acusam o PornHub de publicar os vídeos sem seu consentimento, de acordo com um comunicado de seus advogados na Brown Rudnick LLP na quinta-feira.

“Este é um caso de estupro, não de pornografia”, diz a denúncia.

As mulheres estão buscando indenização pelos efeitos devastadores que isso deixou, bem como proteções para elas e “milhares de outras vítimas” de futuras explorações. O processo também pede que a MindGeek adote políticas mais rígidas para garantir que apenas vídeos consensuais sejam permitidos em suas plataformas daqui para frente. A empresa possui mais de 100 sites pornográficos, incluindo PornHub, RedTube e YouPorn, que coletivamente trazem 3,5 bilhões de visualizações por mês.

Michael Bowe, advogado que está representando as vítimas, disse em uma teleconferência com repórteres na quinta-feira que espera que este caso seja “um divisor de águas” para a indústria da pornografia, que até agora “simplesmente não foi policiada o suficiente”. Ele descreveu a indústria como operando “como um distrito da luz vermelha da velha escola”, onde importantes medidas regulatórias foram negligenciadas ou ignoradas em favor da monetização.

Por sua vez, a MindGeek negou as acusações do processo. Em uma declaração a vários meios de comunicação na quinta-feira, o PornHub disse que está analisando e investigando a reclamação como parte de seu procedimento padrão porque tem “tolerância zero para conteúdo ilegal e investiga qualquer reclamação ou alegação feita sobre o conteúdo nas plataformas”.

Eles disseram que o site já tem medidas rigorosas em vigor para detectar e remover este tipo de conteúdo. Isso inclui uma proibição geral de uploads de usuários não verificados, uma política instituída pela primeira vez em dezembro, quando milhões de vídeos foram removidos da plataforma. “As alegações de que o Pornhub é uma empresa criminosa que trafica mulheres e é administrada como ‘Os Sopranos’ são totalmente absurdas, totalmente imprudentes e categoricamente falsas”, escreveu a empresa.

Assine a newsletter do Gizmodo

Não é a primeira vez que MindGeek enfrenta reclamações sobre sua biblioteca de dezenas de milhões de vídeos pornôs. MasterCard, Discover e Visa cortaram relações com o PornHub em dezembro, após uma coluna do New York Times acusar o site de hospedar material não consensual e muitas vezes ilegal. O PornHub negou essas alegações na época e, desde então, lançou uma série de atualizações em suas políticas de moderação, sistemas de detecção e regras de verificação. A empresa não respondeu a um pedido de entrevista até a última quinta-feira (17).