Empresas usam Inteligência Artificial para “reviver mortos”

Empresas ao redor do mundo estão explorando o uso da IA para criar representações digitais e "reviver" pessoas falecidas
Imagem: Freepik/Reprodução

Perder alguém que se ama nunca é fácil. É comum o sentimento de que ainda existem coisas que gostaria de falar com quem já se foi. Com a popularização da Inteligência Artificial (IA), a possibilidade de falar com quem já morreu pode não estar tão longe assim.

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Até parece coisa de ficção científica, mas a realidade tecnológica atual está tornando isso factível. Empresas ao redor do mundo estão explorando o uso da IA para criar representações digitais de pessoas falecidas.

Isso tudo tem gerado um debate intenso sobre ética, luto e avanços tecnológicos. Na China, algumas empresas funerárias estão usando a IA para permitir que os parentes falem com um avatar digital do falecido.

A agência funerária Shanghai Fushouyun realizou seu primeiro funeral assistido por IA em janeiro de 2022. Na ocasião, colegas e alunos de um cirurgião tiveram a oportunidade de conversar com sua réplica digital em uma tela do falecido, mostra o jornal chinês Straits Times.

“Esperamos fazer com que os vivos entendam que a morte não é o fim da vida. As pessoas querem usar IA para recuperar os falecidos porque precisam liberar suas emoções “, disse Yu Hao, CEO da Fushouyun.

Hao também alertou que a pessoa que deseja “reanimar um ente querido” deve ter cuidado para não “se afogar em suas emoções”, disse ao Strait Times.

Tendência mundial em IA

Não é só na China que é possível “reviver” um ente querido com a IA. Nos Estados Unidos, empresas como Somnium Space e Deepbrain estão desenvolvendo serviços que criam “cópias” digitais das pessoas.

No caso do Brasil, recentemente a montadora Volkswagen entrou em uma polêmica após “reviver” a cantora Elis Regina em uma peça publicitária. Elis morreu há 41 anos e teve sua imagem usada no comercial com IA ao lado da filha, Maria Rita.

https://youtu.be/q2VcP2yJXFM

A polêmica foi tanta que gerou um Projeto de Lei (PL) para estabelecer regras para a utilização dessas imagens e recursos, principalmente quando se tratarem de pessoas já falecidas.

No PL, as empresas só poderão utilizar a imagem de uma pessoa falecida por meio de IA se obtiverem o consentimento prévio e expresso. Seja da própria pessoa em vida ou de seus familiares mais próximos.

De acordo com o texto, caso a pessoa falecida tenha deixado registrado em vida sua decisão de não permitir o uso de sua imagem após o falecimento. Essa vontade deverá ser integralmente respeitada.

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Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.

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