O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começará a ter uma versão digital, aplicada em computadores nos locais de prova, a partir do ano que vem. A ideia é que a partir de 2026 a prova em papel seja abolida. Em 2019, nada muda em relação aos anos anteriores.

Em 2020, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) querem aplicar a prova digital como teste, em datas diferentes da aplicação da prova convencional, para 50 mil estudantes em 15 capitais — Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo. Os inscritos poderão optar por fazer essa modalidade, sendo que o valor e o processo de inscrição continuam iguais.



Em 2021, a intenção é que sejam duas aplicações digitais. De 2022 a 2025, quatro aplicações. A partir de 2026, o MEC quer que a prova seja totalmente digital, com um sistema de agendamento para os alunos, “como tirar um passaporte”, nas palavras do presidente do Inep, Alexandre Lopes.

No futuro, a intenção é que a prova digital seja bastante interativa, com vídeos e games nos exercícios. Por enquanto, ela será apenas uma versão digital da prova impressa, com 180 questões de múltipla escolha e redação.

Além disso, o MEC quer reduzir custos com impressão. Isso vai levar um tempo, porém: neste primeiro piloto, o custo estimado é de R$ 20 milhões para 50 mil alunos, enquanto a prova impressa tradicional demanda R$ 500 milhões para cerca de 5 milhões de inscritos, o que dá um valor médio quatro vezes menor (R$ 100 da prova impressa por R$ 400 da digital). Segundo O Globo, Lopes diz que esse custo tende a cair com a escala depois que o sistema for implementado.

O MEC também diz que não comprará computadores exclusivamente para a aplicação das provas — as máquinas serão responsabilidade das empresas. Segundo Abraham Weintraub, ministro da Educação, a intenção é livrar o Enem de um oligopólio de empresas, referindo-se às poucas gráficas com capacidades de atender a prova.

Especialistas ouvidos por O Globo veem a mudança como positiva, mas destacam que a prova precisará de adaptações, o que talvez permita abandonar as questões de múltipla escolha. Além disso, eles destacam a necessidade de uma forte inclusão digital até 2026 para capacitar todos os estudantes a fazerem a prova.

[O Globo, UOL Educação]