Quanto mais você se afasta da linha do Equador, menos efetivos se tornam os painéis solares na geração de energia durante um ano inteiro. Não são apenas os períodos menores de luz do sol durante os meses de inverno que impõem um problema; até mesmo uma pequena camada de neve pode tornar os painéis incapazes de gerar eletricidade.

E como resultado do aquecimento global, os invernos se tornarão cada vez mais severos. A boa notícia é que pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram uma maneira de gerar energia elétrica a partir de toda essa neve.

A tecnologia que eles desenvolveram chama-se nanogerador triboelétrico baseado na neve (TENG de neve) que gera energia a partir da troca de elétrons. Se você já tomou um choque ao encostar na maçaneta de uma porta, você já experimentou a ciência por trás desse projeto.

Conforme os flocos de neve caem sobre o solo, eles estão carregados positivamente e prontos para ceder elétrons. De uma certa maneira, é energia gratuita – então, após testar inúmeros materiais com carga oposta, os pesquisadores da UCLA (trabalhando com colaboradores da Universidade de Toronto, Universidade McMaster e Universidade de Connecticut) descobriram que a carga negativa do silicone era a mais efetiva para capturar elétrons ao entrar em contato com os flocos de neve.

Os detalhes sobre o dispositivo criado foram compartilhados em um artigo publicado no periódico Nano Energy. O aparelho pode ser impresso em 3D dado o preço acessível do silicone. Além do silicone, um eletrodo não-metal é utilizado, o que faz com que o TENG seja flexível, possa ser esticado, além de torná-lo extremamente durável.

Os criadores do projeto acreditam que o dispositivo possa ser integrado a conjuntos de painéis solares que, quando ficassem cobertos de neve nos meses de inverno, ainda seriam capazes de gerar energia.

Porém, o gerador triboelétrico tem outros usos em potencial: ele não exige baterias ou carregamento e, portanto, poderia ser usado para criar estações meteorológicas baratas e autoalimentadas para enviar relatórios sobre as condições do inverno e medir a quantidade de neve acumulada.

A tecnologia poderia ainda melhorar dispositivos de mapeamento de atividades físicas utilizados por atletas de esportes de inverno – um rastreador em um ski poderia permitir colher dados e oferecer informações importantes sobre a performance individual e dados para treinos.

[UCLA via EurekAlert!]