No próximo domingo (31), tem início a 26ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climática (COP26). O evento é anual, mas foi adiado no ano passado por causa da Covid-19. Os representantes de vários países comparecem para discussões entre ministros e outras autoridades que atuam nas questões climáticas.

Entre os 120 líderes mundiais que já estão confirmados no evento, estão o presidente Joe Biden, dos Estados Unidos; o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, o presidente Emmanuel Macron, da França e o presidente Alberto Fernandez, da Argentina. O presidente Jair Bolsonaro não comparecerá.

Neste ano, as negociações climáticas internacionais da COP26 em Glasgow, na Escócia, chegam em um momento crucial.

Há pouco tempo, um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixou muito claro que esta década é fundamental para controlarmos a a crise climática.

Este relatório da Unep (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) traz argumentos na mesma linha: o comprometimento atual da humanidade o corte de emissões de gases de efeito estufa pode fazer o planeta ficar 2,7 ºC mais quente, em média, neste século — muito longe da meta de 1,5 ºC.

Embora se espere que países assumam compromissos mais sérios durante o evento, muitos parecem estar céticos quanto ao potencial transformador da COP26. A ativista climática Greta Thunberg, que estará na COP26, acredita que a cúpula não alcançaria os acordos fundamentais necessários para combater mudanças climáticas catastróficas.

“Como está agora, a COP não levará a nenhuma grande mudança, teremos que continuar pressionando mais”, disse ela à AFP, durante um evento climático organizado em Estocolmo.

O que esperar do Brasil na COP26

Poucos dias antes do evento, o governo Bolsonaro lançou o chamado Programa Nacional de Crescimento Verde (PNCV) — uma iniciativa conjunta entre os Ministérios da Economia e Meio Ambiente — que o tem o objetivo de “contribuir para consolidar o Brasil como a maior potência verde do mundo”, diz a nota.

E apesar das intenções, o país não tem boa reputação quanto a questões climáticas lá fora. Como indica a Reuters, Brasil e o México apresentaram planos que permitem emissões mais altas do que suas metas anteriores.

Ainda assim, o embaixador Paulino de Carvalho Neto, secretário de Assuntos de Soberania Nacional e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, que representará o país na COP26, falou em entrevista que espera “que olhem para o Brasil de modo mais prospectivo e não retroativo”.

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A publicação também indica que ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, quem comandará a delegação brasileira, deve elevar de 43% para 45% a meta de reduzir as emissões até 2030 na comparação com os níveis de 2005.

Natalie Unterstell, especialista em políticas públicas ambientais e presidente do Instituto Talanoa, avalia que não basta chamar “verde” se o governo não tem ações concretas.

Você pode acompanhar a COP2, que tem início no próximo domingo (31) por qualquer um desses links: