Este ano, Bill Gates recuperou o posto de homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 76 bilhões; e voltou à Microsoft como “consultor de tecnologia” para dar apoio ao novo CEO, Satya Nadella. Com isso, ele dividirá seu tempo à empresa e à Bill & Melinda Gates Foundation, que faz filantropia ao redor do mundo com seu patrimônio de US$ 36 bilhões.

Como será esta nova fase? Bill Gates conta alguns detalhes em entrevista com a Rolling Stone.

O bilionário na verdade possui poucos bens: três casas, um avião e zero iates. Ele está mais preocupado em ajudar países de todo o mundo a lidar com doenças infecciosas, educação e aquecimento global. Como diz a revista, ele transformou “sua vontade agressiva de conquistar o mercado de PCs em uma vontade agressiva de resolver doenças e pobreza”.

Gates revela pouco sobre o que fará na Microsoft: “Satya me pediu para rever os planos de produtos, e para ajudar a tomar algumas decisões rápidas e escolher algumas novas direções”. Ele estima que passará um terço do seu tempo na Microsoft; o restante será dedicado à Gates Foundation.

Ele ainda comenta rapidamente sobre o WhatsApp: “a Microsoft também estaria disposta a comprá-lo… mas por US$ 19 bilhões, aí já não sei”. E ele concorda que Mark Zuckerberg pagou caro porque “quer que o Facebook seja o próximo Facebook”.

Selecionamos abaixo as melhores partes da entrevista, na qual Bill Gates abre o coração sobre Zuckerberg (“dou muito crédito a ele”), Edward Snowden (“não o chamaria de herói”) e Steve Jobs (“um gênio”).

Sobre suas semelhanças com Mark Zuckerberg:

Nós dois somos desistentes de Harvard, e ambos temos opiniões fortes e teimosas do que o software pode fazer. Eu dou muito crédito a ele por moldar a interface de usuário do seu produto – ele é mais gerente de produto do que eu. Eu sou mais um programador, interessado nas entranhas e arquitetura, do que ele. Mas, sabe, isso não é uma diferença tão grande. Eu começo com a arquitetura, Mark começa com os produtos, e Steve Jobs começava com a estética.

Sobre Steve Jobs:

Steve e eu mantínhamos bastante contato, e tivemos algumas boas e longas conversas no último ano dele, sobre as nossas esposas, sobre a vida, sobre o que a tecnologia havia ou não alcançado. Steve e eu éramos muito diferentes, mas nós dois éramos ótimos em escolher pessoas. Nós dois tínhamos muita energia e trabalhávamos duro…

Mas nós éramos muito ingênuos. Steve nos prometeu uma máquina de US$ 499, e de repente ela custava US$ 1.999. De qualquer forma, o projeto do Mac foi uma experiência incrível. A equipe que trabalhou no lado do Mac ficou completamente esgotada. Dentro de dois anos, nenhum deles ainda trabalhava lá. Mas foi uma coisa mítica que fizemos juntos. Steve foi um gênio.

Sobre privacidade:

Sempre houve uma grande quantidade de informações sobre suas atividades: cada número de telefone discado, cada cobrança no cartão de crédito. Já se passou o tempo que uma pessoa normal não deixava rastros. Mas precisamos de regras explícitas. Se você estivesse em um processo de divórcio há 20 anos, isso deveria ser um documento público na web que um vizinho intrometido pode encontrar com uma busca no Bing ou Google? Quando me candidatar a um emprego, minhas multas por excesso de velocidade devem estar disponíveis? Bem, eu sou um motorista de ônibus, como fica?… Na verdade, eu gostaria que estivéssemos tendo debates mais intensos sobre esse assunto.

Sobre Edward Snowden:

Eu acho que ele violou a lei, então eu certamente não o chamaria de herói. Se ele quisesse levantar os problemas, permanecer no país e se engajar em desobediência civil ou algo do tipo, ou se ele tivesse sido cuidadoso em termos do que publicar, então ele se encaixaria mais no modelo “OK, eu estou realmente tentando melhorar as coisas”. Você não verá muita admiração vinda de mim.

Por que ele acredita que não haverá mais países pobres em 2035:

Fizemos progressos realmente inacreditáveis no desenvolvimento internacional. Países como Brasil, México, Tailândia, Indonésia – há um número inacreditável de histórias de sucesso. Os lugares que não se saíram bem estão agrupados na África… Mas, supondo que não haja guerra nem nada do tipo, poderemos tirar até mesmo os países africanos costeiros [da pobreza] e levá-los a uma situação razoável ao longo dos próximos 20 anos… e ao longo dos próximos 20 anos, teremos ferramentas melhores, novas vacinas, uma melhor compreensão das doenças e, espero, formas mais baratas de produzir energia. Assim, o tempo é uma vantagem quando se trata de elevar a condição humana.

A entrevista completa mostra o que Bill Gates pensa sobre aquecimento global, epidemias, política e muito mais. Leia aqui: [Rolling Stone]

Foto por Eric Havir/Flickr