Quanto maiores forem os espelhos de um telescópio, melhor será a sua resolução. E acaba de começar a escavação para a construção de um telescópio que será verdadeiramente enorme, chamado de GMT (Giant Magellan Telescope).

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O GMT será grande – 24,5 metros de diâmetro, no topo do deserto chileno. É um dos diversos telescópios gigantes que estão em construção. Ele poderá ajudar pesquisadores a observarem galáxias distantes, exoplanetas… E sabe-se lá o que mais.

O telescópio “abre todo um novo potencial para a descoberta de coisas que nem imaginamos, e maneiras de resolver problemas que sempre tivemos mas que a tecnologia não era capaz de nos ajudar a responder”, disse Patrick McCarthy, vice-presidente de operações do telescópio, ao Gizmodo.

O telescópio consiste em sete espelhos de 8,4 metros organizados num formato de colmeia, em cima de uma plataforma de concreto, dentro de um invólucro de 63 metros de altura. Ele estará localizado a 2.514 metros acima do deserto do Atacama, conhecido por seus céus tranquilos, escuros e límpidos. A construção exigirá a escavação de sete metros de rochas sólidas para poder se colocar o concreto. Podemos esperar o início das operações lá para 2024.

A escavação começa no local do GMT. Foto: Giant Magellan Telescope

O GMT observará luzes de comprimento óptico e infravermelho, e será equipado com uma óptica adaptativa especial para remover os borrões causados pela atmosfera. Isso permitirá visualizar detalhes mesmo que a muita distância, como galáxias do primeiro bilhão de anos de existência do universo. Ele também deverá ajudar os cientistas a realizarem imagens diretas de exoplanetas que cercam outras estrelas, e determinar o tipo de moléculas que existem em suas atmosferas.

O GMT terá uma resolução melhor do que o telescópio espacial Hubble, mas existe uma desvantagem em estar no solo terrestre, em vez de estar fora da atmosfera da Terra. “A partir do solo, você provavelmente poderá observar mais próximo de uma estrela, mas provavelmente estará limitado a moderar as proporções de brilho entre o planeta e a estrela”, conta Aki Roberge, cientista do Laboratório de Astrofísica Estelar e de Exoplanetas do Goddard Space Flight Center da NASA. “Do espaço, você não pode chegar perto das estrelas (por causa do diâmetro reduzido do telescópio), mas consegue observar planetas que emitem muito menos luz”.

O que isso significa é que esses telescópios gigantes serão melhores para a observação de exoplanetas que estão ao redor de estrelas anãs vermelhas, diz ela. Os telescópios espaciais são equipados com coronógrafos bloqueadores de luz estelar para conseguirem observar melhor os planetas em torno de estrelas semelhantes ao Sol. Ambos são importantes para o estudo de possível vida extraterrestre.

Cientistas de todo o mundo vão escrever propostas, revisadas por um comitê de seleção, a fim de reservar o tempo para usar o telescópio. Entre os fundadores do telescópio estão um consórcio de universidades e o financiamento virá de países de todo o mundo, incluindo a Coréia do Sul, Austrália e Brasil, bem como a National Science Foundation e outras agências.

Um modelo em escala dos espelhos do GMT que tenho em minha casa, porque sou um idiota. Foto: Ryan F. Mandelbaum

Esse telescópio é apenas um entre vários “telescópios extremamente grandes” que devem ser lançados nos próximos anos. Outros destaques são o controverso Telescópio Trinta Metros planejado para o Havaí e o ELT (Extreme Large Telescope ou Telescópio Extremamente Grande) — sim, é esse o seu nome — que o Observatório Europeu do Sul está planejando instalar no Chile.

Maior é melhor quando se trata de olhar para o espaço, e os telescópios estão entrando numa era em que estão se tornando enormes. Quem sabe o que vamos descobrir no nosso universo.

Imagem do topo: renderização do GMT. Crédito: Giant Magellan Telescope